Apanhado

O milionário Bonaparte Maia, após abrir seu jornal, partiu pra disputar uma cadeira de deputado, entabolando 90 mil votos, e acabou entrando em penúltimo lugar com apenas 15, até o padre Palhano, que prometera cinco mil em Sobral, só conseguiu dar 150. Achou, muito justamente, que era prejuízo demais, fechou o jornal e nunca mais se candidatou.

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Quando Lustosa da Costa resolveu ser candidato a deputado federal, em 1966, primeiramente procurou seu grande amigo Edson Queiroz, que imediatamente lhe passou um cheque, estabelecendo: Não estou acreditando em sua campanha, mas, se você próprio acreditar, volte aqui, que eu dobro. Lustosa não voltou e perdeu por poucos votos, que o Edson, sem dúvida, teria coberto.

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Tomando a iniciativa um e ajudando sobremaneira outro, derrubando fraco João Goulart, Magalhães Pinto e Ademar de Barros prestaram grande serviço ao Brasil, porém também um desserviço, almejando também serem Presidentes, evidenciaram ao general Costa e Silva a desunião dos políticos da Revolução, ainda mais quando os dois faziam péssimas administrações em seus estados, enquanto Lacerda, na Guanabara, realizava a maior administração do País.

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Além de conter natural caminhada de Lacerda para a Presidência, outro pecado de Castello Branco foi ter indicado Pedro Aleixo para vice, quando Costa e Silva gostaria de ter João Agripino formando a dupla Sul-Norte. O paraibano teria sido inteiramente favorável ao AI-5 e, no acometimento cardiovascular do general, teria assumido tranquilamente o seu lugar.

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O gaúcho Daniel Krieger terminou no ostracismo, apesar de ter sido revolucionário de primeira hora, inclusive derrotando, após o suicídio de Getúlio, o João Goulart, na disputa senatorial, no Rio Grande. A meu ver, sua queda começou quando não aceitou ser Ministro da Justiça de Costa e Silva, que então nomeou o professor Gama, conhecido por suas ideias radicais. Votou contra o AI-5, perdeu a amizade do Presidente e não teve mais chance influencial até desaparecer completamente.

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Para quem não era corrupto nem subversivo, porém a Revolução queria ver fora do lance, os militares de 64 criaram um terceiro item de expurgação, Contestação ao Regime, e foi assim que pegaram dois grandes e impolutos, Carlos Lacerda e o nosso José Martins Rodrigues.

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Os irmãos Bezerra tiveram seis mandatos federais, Orlando três, Adauto um e Humberto dois, embora só tenha exercido um, pois teve que vir ajudar gêmeo a governar. Adauto foi deputado federal mais votado; quando deixou a Abolição, era pra ter saído senador, porém desistiu, alegando que Virgílio estava pronto para traí-lo, teoria que nunca conseguiu boa aceitação por parte dos amigos de VT e mesmo da população em geral.

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Em nenhum momento da campanha governamental de 1958, o professor Parsifal Barroso deu a entender que queria ganhar. Cogitava voltar ao Ministério do Trabalho ou ser nomeado por Juscelino pra Embaixada do Vaticano. Aí deve ter residido administração descolorida que realizou.

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O padre José Palhano foi a carreira mais brilhante e fugaz da política cearense, tendo saído prefeito contra forças poderosas e um dos deputados mais votados. Quando veio 64, seus inimigos sobralenses propagaram várias acusações de corrupção, e a Revolução o cassou. Ele se tornara muito chegado ao presidente deposto João Goulart, e uma de suas façanhas, quando prefeito, foi meter no calor sobralense Elisinha Moreira Sales, mulher de um dos homens mais ricos do Brasil e então Ministro da Fazenda. Certo é que Palhano morreu pobre e completamente dominado pelo diabetes.

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Talvez Igor Queiroz Barroso, bisneto mais evidente, não tenha ainda tomado conhecimento que seu bisavô, Chico Monte, foi o primeiro político cearense a atingir o quarto mandato, tendo sido constituinte em 46 e se reelegendo em 50, 54 e 58, partindo em exercício, quando a Câmara já funcionava em Brasília.