Apanhado

Camilo Santana deve ter cuidado maior na próxima promulgação da Medalha da Abolição. Isso porque não foi feliz na primeira edição, extrapolando no número, concedendo cinco ou seis, quando a maior condecoração do Estado deve contemplar apenas um ou, no máximo, dois. Como procedeu, Camilo deixou de seguir antecessores exemplares nesse mister, tais, para citar apenas os vivos, Adauto Bezerra, Tasso Jereissati, Lúcio Alcântara e os irmãos Ferreira Gomes, impecáveis em manter a dignidade da concessão.

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Sempre mantive com Antônio Paes de Andrade muito boas relações, arrefecidas um pouco quando ele rompeu com Tasso. Porém, nunca nos afastamos de vez, e ainda guardo telegrama que ele e Zildinha me passaram, quando governador Cid Gomes me consignou a maior honraria do Estado.

Paiol velho

O presidente do Estado, como se chamava Governador naquele tempo, João Tomé mandou um correligionário ao Secretário da Justiça, para que fosse nomeado. Dias depois, o auxiliar veio despachar e foi cobrado, explicando que não o fizera porque não havia vaga, ouvindo então do João Tomé: O senhor não nomeou, porém meu Secretário da Justiça vai nomear. Quer dizer, estava demitido.

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Adauto só perdeu a eleição de 1986 porque enfrentou Tasso. Contra qualquer outro, teria ganhado, talvez até folgado. Atribuir a vitória de Tasso ao MDB é puro grupo, pois o que valeu mesmo foi o que ele representava como renovação, daí os 600 mil, que foi a maioria obtida pelo “Galeguim do Oi Azul”.

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Dom Antônio de Almeida Lustosa teve dedo na bela eleição de Carlos Jereissati para o Senado, em 1962. Indiretamente, e explico. O candidato das esquerdas era o padre Arquimedes Bruno, porém o Arcebispo vetou. O pessoal, então, entre os quais muitos comunas, se passou maciçamente pro Jereissati, que acabou ganhando por seis mil votos do candidato indicado por Parsifal.

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Paes de Andrade tinha pouco mais de 20 anos, quando concorreu pela primeira vez, disputando uma cadeira na Assembleia, porém não conseguiu. Ficou na suplência do PSD, mas logo um correligionário, Matoso, me parece, sofreu fatal acidente de automóvel, cercano de Sobral, e o Paes se efetivou. Na eleição seguinte, ele se já elegeu, foram dois estaduais e oito federais.

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Na única eleição que perdeu, de Governador, em 1958, Virgílio Távora tinha armado um esquema imbatível, dando a vice para o PTB de Chico Monte. Aconteceu que Carlos Jereissati, com o apoio de José Martins Rodrigues, pelo PSD, lançou Parsifal, forçando Chico Monte a romper o acordo, pois se tratava de seu genro e, ainda por cima, ministro do Juscelino.

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Sérgio Philomeno, que chegou a ser dono de várias Coca-Colas pelo Nordeste, inclusive Pernambuco e Bahia, teve um mandato de deputado, porém, na reeleição, já financeiramente alquebrado, bolou um plano de concorrer pelo PTB, isoladamente. A ideia era que, somando os votos de dezenas de candidatos que ele inscrevera, daria para eleger o primeiro da chapa, que seria ele próprio. Não vingou duas vezes: primeiro, porque a legenda não fez nenhum; e segundo, porque, se houvesse conseguido, não seria ele, pois um colega ficou na frente.

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Dos três irmãos Bezerra, quem obteve mais mandatos federais foi Orlando, três; Adauto só teve um; e Humberto, dois, embora só tenha exercido um, o primeiro, de 1966, porque, da outra vez que foi eleito, veio ajudar o irmão, feito Governador, permitindo assunção de Jonas Carlos, primeiro suplente da bancada.

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Armando Falcão teve quatro mandatos de deputado, só na quinta não conseguiu se eleger, em 1966, depois da Revolução, que ele tanto ajudou, como único político cearense de ativa participação.