Assunto pessoal

Quando estudei Francês no Cavilan de Vicky, durante quatro anos, um mês por ano, sempre em março, porque era inverno e tinha lugar no curso e na pensão. Enfrentando galhardamente entre oito e dez graus, cheguei a pegar neve e resisti à tentação de entrar no cassino, que ficava a dez metros de onde me hospedava.

Lei da compensação

Deus livrou o pobre de dois contratempos, primeiro é que ninguém lhe pede dinheiro emprestado, porque não tem onde cair morto, e também não lhe pedem aval, pois o banco não aceita.

Jamais te esquecerei

Jogos dominicais do Presidente Vargas. Meu pai Natalício ia me deixar, estando eu algumas vezes acompanhado de meu partinte irmão Nilson, que não era muito de futebol. Um dia, eu me esqueci de pedir o dinheiro da volta, pois tinha que pegar dois ônibus. Resultado, vim a pé do estádio até nossa casa, na Avenida Dom Luís.

Momentos são

Quando Virgílio Távora governador me apresentou a Carlos Lacerda, que me estendeu a mão, estando este repórter certo de que estava conhecendo o futuro Presidente da República, que eu lamento até hoje os militares não o terem feito.

Viagens que ficaram

Num navio de bandeira grega, Odissey, em busca do Sol da Meia-Noite. A recepção do comandante ia ter caviar e champanha francesa. Acontece que eu não tinha levado rigor, mas ficara amigo do barman e dos garçons que me serviam, e cada um me emprestou uma peça, da gravatinha ao sapato, só não a cueca.

Vã filosofiaz

Pobre tem uma vantagem. Quando aparece um pretendente pra casar com sua filha, ele não desconfia de golpe do baú.

Momentos são

Quando em agosto de 1961, poucos dias antes da desastrada renúncia de Jânio Quadros, procurei dona Albanisa Sarasate no Hotel Regina, do Rio, e lhe passei meu desejo de trabalhar em O POVO. Quando ela marcou para eu voltar às seis horas daquele mesmo dia, “para falar com o Paulo”, eu parti com a certeza de que já estava empregado. E não deu outra.

Aos pés do altar

Nada contra, pessoalmente, entretanto acho pertinente informar que noivo não pode usar relógio, a não ser de algibeira, quando casa de fraque ou casaca. Sendo assim, faz-se mister deixar seu relógio de pulso para a lua de mel e daí por diante.

Disse-me-disse

Já partiram os quatro protagonistas da história da placa, para a qual a esposa de um milionário contribuiu, em dinheiro, a fim de ele presentear à amante, pois já deixaram de frequentar essa vida o marido, o amante, a mulher traída e a mulher conquistada.

Disse-me-disse

Milionária paulista, embora argentina de nascimento, abriu a porta do quarto do filho, flagrando o rapaz em libações com outro. O pôs imediatamente para fora de casa, e o rapaz ficou tão chocado, que passou vários anos sem conseguir evitar o soluço. Mais tarde, foi perdoado e voltou a morar com os pais.