Bola rolando

Consegui o título de Cidadão Fortalezense, por meio do vereador Antony Costa, com total apoio do prefeito Vicente Fialho, para Clodoaldo, o único nordestino campeão do mundo em 70, no México, na última Copa que o Brasil ganhou jogando que prestasse. Foi notável seu desempenho na vitória de um sobre a Inglaterra, o escrete desfalcado de Gerson e Rivelino atuando lesionado do meio pro fim.

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Eu estava na Argentina, quando o treinador Cláudio Coutinho decidiu escalar Dirceu, jogador apenas mediano, para o lugar de Rivelino, que se lesionara no jogo inicial da Copa de 1978. Pelé estranhou que Dirceu estivesse na Seleção, pois só sabia correr, como fazem os fundistas. Mas não foi por causa dele que o Brasil só obteve o terceiro lugar.

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A Seleção de 70, campeã no México, tinha sete craques, Carlos Alberto na defesa, Clodoaldo no meio-campo e toda linha atacante, Jairzinho, Gerson, Tostão, Pelé e Rivelino, além do reserva Paulo César Caju. A de 58, laureada na Suécia, só tinha cinco, Nilton Santos, Zito, Garrincha, Didi e Pelé, pois Di Sordi, Belini, Orlando, Vavá e Zagallo eram apenas razoáveis. Havia o goleiro, Gilmar, muito bom, porém é muito difícil colocar um guarda-metas nessa condição de ás da pelota, pois ele joga bem mais com as mãos do que com os pés.

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Romário, que conheci pessoalmente numa praia de Barcelona e achei um cara legal, foi a maior prova de que o Brasil não estava com nada, quando venceu o Mundial-Circo dos Estados Unidos. Tanto que, tendo sido o artilheiro brasileiro, naquela lamentável competição definida por pênaltis, só fez cinco gols em sete jogos e uma prorrogação e passou os últimos 130 minutos sem furar as redes.

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Na Copa que o Brasil mais ganhou com merecimento, a de 1970, no México, o juiz israelense deixou de marcar um pênalti de Carlos Alberto no inglês Lee. Se assinalado e consignado, dificilmente o Brasil teria ganhado, pois os britânicos, que detinham, então, o título, endureceram o jogo e perderam várias oportunidades no segundo tempo. O escrete ganhou de 1 x 0, gol de Jairzinho, em jogada onde entrou a genialidade primeiro de Tostão e depois de Pelé.

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Na minha entrevista com Obdulio Varela, em sua modesta casa de um arrabalde de Montevidéu, ele confessou seu espanto de o centro-médio Rui Campos, do São Paulo, não ter sido titular, pois Flávio Costa preferiu Danilo, do Vasco, que não era decididamente de Seleção. O Rui era bolão, assim definiu.

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Já disse que Flávio Costa não foi um grande treinador e sou dos que participam da conjectura de que se ele houvesse escalado Nilton Santos, no lugar de Bigode, o Uruguai não teria feito o segundo e decisivo gol, pois Santos, como na época era somente conhecido, não teria ido em cima de Julio Perez, que lançou a bola para Giggia, como Bigode fez, ele teria ficado ao lado do ponteiro uruguaio, que era o seu homem naquele jogo fatal.

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O maior treinador do futebol brasileiro não foi Flávio Costa, que não era um estrategista, e muito menos Vicente Feola, um dorminhoco. Talvez Ademar Pimenta, do Mundial de 38 e do Sul-Americano de 42, quando, em ambos, o Brasil fez boa figura.

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Falam muito na linha média Eli, Danilo e Jorge, do Vasco, e Jadir, Dequinha e Jordan, do Flamengo, porém a melhor intermediária do futebol brasileiro em clube foi a do São Paulo, do meio para o fim dos anos 50, Bauer, Ruy e Noronha, todos três craques, enquanto vascaíno Jorge não era e o rubro-negro Jordan também não era.

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Expedito Machado, quando deputado estadual, foi eleito presidente da Federação Cearense de Desportos, guindado pelos principais ases da crônica esportiva. E salvou futebol cearense, que estava a um passo da bancarrota total. Morreu sem ser reconhecido.