Bola rolando

Domingos da Guia é indiscutível, na posição de zagueiro central dos bem mais de 100 anos do futebol brasileiro. Agora, na lateral direita, já que na esquerda Nilton Santos não se discute, não ponho Carlos Alberto, nem Djalma Santos, e muito menos Cafu, e sim, Leandro, que junto a Falcão foram os maiores destaques da última vez que a Seleção jogou futebol, 1982, em Barcelona, e eu estava lá.

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Heleno de Freitas, considerado o mais clássico dos centroavantes do futebol brasileiro, jogou uma vez, umazinha só, no final dos anos 40, aqui no Ceará. Aconteceu quando o Vasco da Gama goleou por 6 x 1 o Fortaleza, que abriu o placar com um gol de França. Porém, Heleno não foi bem, no Presidente Vargas, não marcou e foi substituído pelo novato Ipojucan.

Bola redonda

Nenhum cearense, até hoje, atuou pela Seleção Brasileira em Copa do Mundo. Quem mais se aproximou foi o Leonardo, que participou, em 94, nos Estados Unidos, jogando na lateral esquerda, e em 98, na França, de meia. Porém, Leonardo, filho de pais cearenses, das famílias Nascimento e Araújo, nasceu em Niterói.

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O pernambucano Ademir foi o artilheiro da Copa de 50, com nove, segundo os cronistas, ou oito gols, segundo a súmula do juiz, pois um dos seus dois contra a Espanha, foi atribuído ao zagueiro Parra.

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A crônica brasileira proclamou que o Brasil foi Campeão Moral da Copa de 78, na Argentina, por sinal, uma das duas que vi pessoalmente. Acontece que não se encontra na Fifa tal título, que me pareceu mais choro de mau perdedor, até mesmo porque foi uma das piores seleções, quando Zico, grande no Flamengo, estreou pifiosamente, só fazendo um gol, e ainda de pênalti. Espalharam que o Peru tinha facilitado para a Argentina chegar aos seis, só que não precisava, bastava quatro.

Bola redonda

Pernambucano Ademir Marques de Menezes, ídolo do Vasco por dez anos, marcou nove gols na Copa de 1950, porém nenhum deles valeu para o Brasil, pois não encontrou as redes adversárias quando dele a Seleção precisou, no empate de 2x2 com a Suíça, no Pacaembu, quando não meteu, e na derrota final, para o Uruguai, no Maracanã, onde foi completamente dominado pelo beque oriental Matias Gonzalez.

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Futebol também faz das suas, dificilmente um craque rende um grande treinador, Leônidas, Domingos da Guia, Zizinho, Jair da Rosa Pinto, por exemplo, não emplacaram. Técnico vencedor é quase sempre aquele que foi peba quando atleta, tipo Flávio Costa e Zezé Moreira. Talvez pela mesma razão que um bom pintor jamais dará pra crítico de arte.

Bola redonda

Heleno de Freitas jogou uma vez no Ceará, quando chegou ao Vasco e veio aqui enfrentar o Fortaleza, em 1949. O Tricolor abriu o placar, mas então o Vasco meteu seis, nenhum de Heleno, que acabou substituído. Muitos defenderam sua presença na Seleção de 50, porém Flávio Costa não lhe chamou. Tudo indicando que já estaria afetado pela esquizofrenia que o levou dez anos depois a um sanatório em Barbacena, Minas.

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Foi o Expedito Machado, então deputado estadual, quem salvou o futebol cearense de apagar. Falo literalmente, pois foi ele quem iluminou o Presidente Vargas. E conseguiu movimentar o campeonato, que andava muito por baixo. Pena que tenha desaparecido toda reportagem esportiva da época, tais Jaime Rodrigues, Ivan Lima, Paulo Santos, Palmeira Guimarães, mas vivo ainda está o Aécio de Borba, que poderá atestar.

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Seleção, das cinco copas amealhadas, temos de tirar a primeira, na Suécia, quando a França, o melhor time, jogou um tempo com dez, a do Chile, quando a Espanha foi garfada, tendo um gol legítimo anulado e um pênalti não marcado, e o circo armado pelo Havellange, nos Estados Unidos, quando a decisão foi por pênaltis, que não faz parte da nossa cultura futebolística.