Bola rolando

O goleiro Ivan Roriz, que foi meu colega no Marista Cearense, era campeão pelo Ceará quando foi chamado para defender a Seleção. Acontece que papou um tremendo frango, deixando passar uma bola que um tal Batistão atirou do meio do campo. O frango valeu o empate para a Seleção Maranhense, e Ivan jamais foi convocado entre os melhores.

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Este repórter, que já foi técnico de futebol em sua natal Aurora, formaria assim uma Seleção Brasileira composta unicamente de craques que não conquistaram o título mundial: Barbosa no arco, Leandro e Domingos da Guia na zaga, Bauer, Fausto e Júnior na linha média, Julinho, Zizinho, Leônidas, Zico e Neimar no ataque. Mesmo sem Pelé e Garrincha, seria tão poderosa quanto o time de campeões.

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Maneca foi um jogador que veio da Bahia para o Vasco da Gama, do meio pro fim dos anos 40. Um craque de verdade, era meia-armador, mas foi aproveitado por Flávio Costa na ponta direita, para substituir o gaúcho Tesourinha, que se lesionara nos jogos preliminares. Foi a sua única chance na Seleção. Depressivo, ao encerrar a carreira, ainda jovem, suicidou-se com veneno, após levar um fora da noiva.

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Não é difícil estabelecer qual foi a maior Seleção Brasileira campeã do mundo, se a de 58, na Suécia, ou a de 70, no México, pois essa última ganha fácil, comportando sete craques, Carlos Alberto, Clodoaldo, Jair, Gerson, Tostão, Pelé, Rivelino, enquanto a anterior escalava cinco apenas razoáveis, Di Sordi, Belini, Orlando, Vavá e Zagallo.

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Dida, que era craque no Flamengo, deu vexame em Copa do Mundo, na primeira partida, na Suécia, em 58, Pelé quebrado, não conseguiu pegar na bola, forçando Feola a, na partida seguinte, escalar Vavá, que não era meia, porém centroavante, para enfrentar a Inglaterra.

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Primeiro título internacional da Seleção Brasileira jogando fora foi o Pan-Americano de Santiago do Chile, em 1952, que não teve muita expressão, pela ausência da Argentina, mas valeu pela vitória sobre o Uruguai, que não enfrentávamos desde a derrota no Maracanã, dois anos antes. Ganhamos de 4x2.

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Maracanã foi inaugurado uma semana antes da Copa de 1950, com o jogo entre seleções de Novos do Rio e de São Paulo. Didi marcou o primeiro gol do estádio monumental, mas os cariocas perderam de três, e, além dele, houve futuros campeões mundiais, como o lateral Djalma Santos.

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O pessoal da crônica esportiva dormiu e deixou passar, porém o Degas Aqui registrou. Após a final de 50, no Maracanã, quando Uruguai saiu campeão, no jogo seguinte, em Santiago, que o Brasil venceu de 4x2, dois que integraram a Seleção Brasileira no Maracanã entraram em campo, Friaça e Ademir; quando o médio Ely foi expulso, o ponteiro cedeu seu lugar a Bauer, que havia formado no onze que perdera o título dois anos antes. Quer dizer, foram três aqueles que participaram da “vingança”.

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Antes de aparecer o Nilton Santos, no jogo de botão, a gente botava o mais peba na lateral esquerda. Mais tarde, com esse grande craque, se colocava o botão mais vistoso e bem aparado.

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Joel e Pepe foram dois ponteiros exemplos de que realmente existem o jogador de clube e o jogador de seleção. Brilhavam no Flamengo e no Santos, respectivamente, porém, com a camisa canarinha, não conseguiam repetir.