Cinema de véspera

Frequentei o Cine Santos Dumont, popularmente chamado Dioguinho, explorado pelos jesuítas, que tocavam a Igreja do Cristo Rei. Era bem perto da casa do meu avô, na Nogueira Acioly, e do meu pai, na Gonçalves Ledo. Ainda hoje está lá, no sul da Praça do Colégio Militar, sediando uma secção da Petrobrás.

Cinema

Embora erradamente, se faz corrente pensar que cinema dos bairros, aqui em Fortaleza, fecharam face aparecimento da televisão, menos verdade, quase todos cerraram as portas em 1953, devido ao dobro do salário mínimo, estabelecido pelo ministro do Trabalho João Goulart, pois só sete anos depois era instalado o primeiro Canal, o 2, da Associada TV Ceará.

Cinema de véspera

Houve um filme, pelo menos um, da Ingrid Bergman que o cearense não assistiu, pois não passou no circuito. Trata-se, no caso, de “Saratoga Trunk”, que recebeu, no Brasil, o título, horrível, por sinal, de “Mulher Exótica”, onde a sueca contracena com Gary Cooper e, como sempre, dá um show.

Cinema de véspera

O Cine Rex, sobretudo aos domingos, era o refúgio pessoal jovem, pois ficava no interior da General Sampaio, local de residência da classe média não alta. Foi ali que vi pela primeira vez Ingrid Bergman na tela, em “O Médico e o Monstro”, em que contracena com o grande Spencer Tracy e a apenas bonita Lana Turner.

Sessão das quatro

O Cine Pedra da Costa, que Regina e Adriano Josino estabeleceram na casa ribeirinha do Cumbuco, deu muita sorte em sua largada, apresentando, inicialmente, Giant, com Liz Taylor, Rock Hudson e James Dean, e, a seguir, A Um Passo da Eternidade, com Burt Lancaster, Deborah Kerr, Montgomery Clift e Frank Sinatra, que ganhou o Oscar de Coadjuvante, no seu deslumbrante desempenho de soldado Ângelo.

Vesperal das moças

“Casablanca” foi o único filme da grande Ingrid Bergman em que a sueca não contracena com mulher. Aliás, ela detestava mulher, era uma fêmea de verdade. Em “Casablanca”, foi muito feminina mais uma vez, todavia não apareceu no meio daqueles talentos todos.

Cinema de véspera

Orson Welles foi sempre mais criador do que ator. Ainda assim, roubou a cena de Joseph Cotten, no maior filme inglês de todos os tempos, “O Terceiro Homem”.

Cinema de véspera

Mae West, a Rainha das Vamps, chegou a uma festa e, quando entregou seu casaco para a chapeleira, esta proclamou: Meu Deus, que pele sensacional! Resposta da atriz: Deus nada teve a ver com isso, queridinha.

Cinema de véspera

Quando se soube, em Hollywood, que a atriz Lauren Bacall tinha traído o marido, e logo com Frank Sinatra, uma amiga lhe perguntou: Como é que uma mulher tem coragem de trair um homem como Bogart? E a resposta: Eu também pensava assim, até que aconteceu.

Cinema de véspera

O cidadão Amadeu Barros Leal merece um estudo sério, pois teve a ousadia de, com sua empresa Cinemar, enfrentar o onipotente Severiano Ribeiro. Abriu cinco casas, sendo a primeira o Jangada, na Floriano Peixoto; depois, Samburá, na Major Facundo; veio, então, o Araçanga (depois Art); o Atapu, na Joaquim Távora com Pontes Vieira; e na Praça José de Alencar, o Toaçu, que muito pouca gente sabe que existiu.