Cinema de véspera

Fortaleza teve um cinema que as mulheres entravam para um lado e os homens para o outro. Tratava-se, no caso, do Cine São José, que funcionava no lado oeste da Praça Cristo Redentor. Talvez um caso único no Brasil.

Cinema de véspera

Cinema de véspera Os principais clubes programavam filmes uma vez por semana, o Líbano, às segundas, o Náutico, às quartas, o Diários praiano, às quintas, o Ideal, também às quintas e também uma sessão infantil aos domingos. Exibiam bons filmes, alugados ao Ribeiro, que a gente não podia assistir direito, pois a máquina parava de rodar uma, duas ou mais vezes. As cadeiras também primavam pelo desconforto, porém eram bastante frequentados.

Cinema de véspera

Cinema de véspera O Cine Ventura, na Barão de Studart com Pinto Madeira, era um dos dois cinemas da Aldeota. Era filiado à Empresa Ribeiro, que entrava com os filmes em troca da metade do faturamento da bilheteria. Como todas as casas fora do tempo, fechou em 1953, reabrindo alguns anos depois, mas aí apenas com a família Ventura, de Júlio Ventura, hoje nome da rua adjacente, porém logo desapareceu definitivo.

Cinema de véspera

Cinema de véspera Ao falar, na inauguração do São Luiz, Luiz Severiano Ribeiro, então com 84, estabeleceu do palco, numa das maiores noites da sociedade cearense de todos os tempos: Fomos muito criticados por ter a construção desta casa de espetáculo demorado 18 anos, porém vocês estão vendo o resultado, não estou dando à minha terra um cinema, todavia o maior cinema do País.

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Teve um cinema aqui em Fortaleza que se chamava Nazaré, ficava por trás da Sumov. Aliás, Otávio Bonfim tinha duas salas, sendo a outra o Cine Familiar, dos padres, que ficava ao sul da praça. Em tempos modernos, tive um acesso de nostalgia e localizei o Nazaré, que tinha virado oficina de carro, mas mantinha o buraco na parede onde a gente comprava o ingresso.

Cinema de véspera

As novas gerações não frequentaram o Cine Centro, que ficava na Duque de Caxias, esquina da Imperador ou talvez da Tristão Gonçalves. Exibia os filmes da Fox, e, como quebrava várias vezes, durante a exibição, e as luzes acendiam, as mães das redondezas permitiam que as filhas fossem com os namorados, pois, passeando na calçada, elas podiam vigiar. O prédio pertencia a um centro artístico cearense e só mais recentemente foi demolido.

Cinema de véspera

O Cine Rex, sobretudo aos domingos, era o refúgio do pessoal jovem, pois ficava no interior da General Sampaio, local de residência da classe média não alta. Foi ali que vi, pela primeira vez, Ingrid Bergman na tela, em "O Médico e o Monstro", em que contracena com o grande Spencer Tracy e a apenas bonita Lana Turner.

Cinema de véspera

Frequentei o Cine Santos Dumont, popularmente chamado Dioguinho, explorado pelos jesuítas, que tocavam a Igreja do Cristo Rei. Era bem perto da casa do meu avô, na Nogueira Acioly, e do meu pai, na Gonçalves Ledo. Ainda hoje está lá, no lado sul da Praça do Colégio Militar, sediando uma secção da Petrobras.

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Cinematecos, tais L. G. Miranda Leão e Tavares da Silva, certamente apontam "Cidadão Kane" o melhor filme de todos os tempos, e, talvez, tecnicamente, seja mesmo, porém eu jamais apontaria como melhor um filme que não caiu no godo do público feminino.

Cinema de Véspera

O Diogo foi inaugurado em seis (ou foi sete?) de setembro de 1940, ocupando térreo do edifício do mesmo nome, que abrigou, lá pra cima, inclusive, a Ceará Rádio Clube. Tinha um hall espetacular, com duas vitrinas de cada lado anunciando os próximos filmes. Teve seu fulgor bastante arrefecido quando Severiano Ribeiro abriu o São Luiz na Praça do Ferreira, hoje ainda ali, embora, faz muito, desativado para o objetivo que o criou.