Jamais te esquecerei

Quando exercia o cargo de relações-públicas de J. Macêdo, sob a chefia do inesquecível Américo Barreira, formei o time da empresa e jogávamos nos subúrbios, eu quase sempre de beque central, mas, às vezes, goleiro. Fizemos até uma excursão ao Aracati. Tínhamos, pelo menos, um grande craque, o Azevedo, que descia para ajudar a defesa.

Jamais te esquecerei

Eu ainda morava em Fortaleza, quando um portador baixou na Caio Cid e me entregou um óleo do Di Cavalcanti, que eu jamais sonhava possuir.

amais te esquecerei

Bar do Copacabana Palace, aonde ia todas as tardes, para encontrar a turma do Bety (Holandino Rocha, repórter de O Cruzeiro, tio do ministro César Asfor), onde predominava outro cearense, o Sérgio Petezoni, neto do abolicionista Alfredo Salgado. Cada um que saía deixava o dinheiro do que tinha consumido debaixo do copo. Eu quase sempre ficava por último e então pedia a conta. Nunca faltou um tostão.

Jamais te esquecerei

Não sairá da minha memória nem da retina o pife-pafe sextaferino da Lurdes Gentil, cuja minha admissão na roda, a mais selecionada já formada no Ceará, foi um gesto altamente temerário da minha amiga, pois eu não tinha nem idade nem dinheiro, todavia Deus me ajudou, e não fiquei devendo.

De coração

De coração O fiel sobralense Luís Frota era meu vizinho na Caio Cid. Uma manhã, saí de bicicleta, como fazia habitualmente, e uma moça, em disparada, me bateu por trás. Caí do lado esquerdo, mas consegui chegar até em casa. Sem eu saber, o meu empregado, Senhor Astro, ligou pro Luís, que chegou com dois carros à minha casa, a mulher Lorena e o filho Beto, que me conduziram à São Raimundo, onde o Dr. Régis Jucá, já avisado, esperava-me, pois o ouvido não parava de sangrar. O Régis pediu ao Luís que procurasse determinado medicamento em farmácia de plantão, só que meu amigo, que saiu em companhia do filho, custou duas horas para voltar, deixando nervosos o médico e sua mulher. Querem saber o que ele foi fazer? Comprar uma bicicleta nova para mim.

De coração

Domingos Eirado era um pernambucano que representava no Nordeste a Companhia Progresso Industrial do Brasil, dos irmãos Silveira, Guilherme e Joaquim. Era ele, portanto, quem tocava os desfiles Bangu da região, e fizemos uma grande amizade, diziam até que eu era seu colunista favorito, o que parecia ser verdade. Última vez que o vi foi quando me levou a Manaus, mas, logo a seguir, os desfiles acabaram. Domingos morreu nos braços de sua segunda mulher, uma paulista, pois tinha se separado de Melinha, minha amiga, e que também já deve ter partido.

De coração

De coração Eduardo Tapajós, dono do Glória, foi espetacular em minha vida no Rio, pois, sem me conhecer, abriu seu hotel, onde fiquei alguns anos sem pagar a diária e, depois, sem pagar absolutamente nada. Meu companheiro de boca livre era nada mais, nada menos, o futuro presidente José Sarney, que eu encontrava no elevador.