Lei da compensação

Deus livrou o pobre da suspeita se seus filhos o amam ou não, pois não tem como imaginar que eles esperam sua partida para entrar de posse da herança.

Momentos são

Quando em agosto de 1961, poucos dias antes da desastrada renúncia de Jânio Quadros, procurei dona Albanisa Sarasate no Hotel Regina, do Rio, e lhe passei meu desejo de trabalhar em O POVO. Quando ela marcou para eu voltar às seis horas daquele mesmo dia, “para falar com o Paulo”, eu parti com a certeza de que já estava empregado. E não deu outra.

Viagens que ficaram

A mais inesquecível das minhas rodagens pelo mundo foi a baixada na China, e lá já se vão 40 anos, quando o país vermelho ainda era um mistério. Fiz parte de um grupo de jornalistas, três do Sul, Rio Grande, Santa Catarina e Paraná, três de São Paulo e três do Nordeste, Bahia, Pernambuco e eu pelo Ceará. Éramos convidados da Japan Air Lines e, quando desembarcamos em Pequim, fazia frio e sol e nevava, e quase chorei, me perguntando como é que um beradeiro da Aurora podia estar na terra do grande presidente Mao.

Novos rumos

Muita gente boa anunciando transferência de residência ou para a Europa ou para os Estados Unidos. Brasil é hoje país insuportável, sem oferecer qualquer possibilidade de recuperação, pois a classe política caiu ao mais baixo grau de decomposição moral. Só se houvesse um milagre de Deus, que, há muitos séculos, não pratica mais.

Confidencial

Meu amigo José Humberto Gondim foi o maior ganhador que o Cassino do Ideal já teve. Num jogo que durou dois dias e duas noites, faturou 800 mil. Tanto dinheiro, que nem apareceu mais nas Pernambucanas, onde trabalhava no balcão, para pedir as contas e, na certa, levar algum. Chegou a fazer parte da roda do Jockey Club do Rio, tendo sido parceiro de Artur Bernardes, filho de presidente da República e futuro ministro. Porém, José Humberto não soube aplicar e terminou mal de vida, como empregado do mesmo cassino onde foi rei por algum tempo.

Destino Certo

Meu incomparável companheiro Zózimo Barrozo do Amaral, quando recebia um pedido para noticiar aquilo que não interessava à coluna e apenas ao solicitador, respondia que ia pôr na sexta, e o cara ficava esperando pela nota que jamais saía, pois a cesta a que o Zózimo se referia era a cesta do lixo.