Jogada fria

Num Réveillon do Ideal, nos brilhantes anos 50, senhora que não era bonita flagrou uma que era botando gelo no copo de uísque do seu marido. Armou uma cena, e toda mesa (eram oito) se retirou. Dia seguinte, o Ceará perdia para sempre uma de suas mulheres mais fascinantes, para nunca mais voltar.

Flagrante delito

Havia um deputado pelo Estado do Rio, capital Niterói, que, antes de eleito, só havia ocupado um cargo de destaque, a Presidência da Caixa Econômica, suscitando, então, pesadas suspeitas sobre a legitimidade da fortuna amealhada. Logo após 64, convidou aquele que assumiu a chefia da Revolução vitoriosa, Costa e Silva, para um jantar. Champagne francesa, caviar do Irão, louça da Companhia das Índias e serviço Vermeil, que é o mais caro do mundo, pois talheres de prata banhada a ouro. Terminada a refeição, o general despediu-se e, chegando em casa, ligou para o chefe do Grupo de Cassações, determinando: Põe fulano na lista, pois esse eu vi que é ladrão.

E a mesa acabou

Faz muito tempo que o pôr do sol das quintas, na Praia do Horizonte Novo, intermédia entre o Cumbuco e o Cauípe, deixou de existir, isso porque parto do princípio de que, algo para ter charme, tem de haver começo, meio e fim. Aliás, quem criou encontro semanal em questão foi o Luciano Girão, que, morando em São Paulo, vinha sempre ao torrão, às vezes trazendo o Frei Felipinho, que benzia os índios Graviolas, que eram quem servia aos partícipes.

E a mesa acabou

Muitos pensam que foi o grande governador César Cals quem acabou com a Mesa Oficial nos réveillons e em outros grandes bailes dos clubes mais fortes, porém isso não é verdade. César, tanto quanto VT, prestigiava, mas o esvaziamento partiu do coronel Adauto Bezerra, que, quando convidado pelas diretorias, estabelecia que poderia comparecer, mas em mesa com sua família e não de autoridades. Daí por diante, a mesa em questão, hoje, quase que se resume aos próprios comandos das agremiações sociais.