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De Tales de Sá Cavalcante, publicado na Página Nobre de O POVO: Imaginemos que a primeira-ministra da Dinamarca chegou de surpresa ao Rio, em 22 de 12, e manifestou seu desejo de falar com o prefeito. Impossível, lhe informaram. Por quê? Ele acaba de ser detido. E o governador? Não vai dar, está afastado, com impeachment em andamento. E o substituto? Eu aconselho a agir rápido, pois o vice Cláudio tem processo e passou por operação de busca e apreensão em casa. Então, quero falar com um dos últimos que estiveram à frente do Governo. Dos cinco anteriores, um é ex-juiz em vias de impedimento, outro está preso e, na prisão, reconheceu, "exagerei na mão". Os três restantes foram todos detidos e atualmente aguardam o julgamento em liberdade. A visitante, ao observar o caos na política, na segurança e nas finanças públicas do Estado, ficaria perplexa.

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À Guisa de Informação: PEO, três letras que significam Por Especial Obséquio, para indicar o portador. Presença Civil numa festa, para designar o convidado sem laços de parentesco com o anfitrião ou promotor. Pior do que sair é ter que sair, ao ouvir dos donos da casa pedirem para permanecer mais tempo. Roupa do Domingo, quando botamos o que temos de melhor para comparecer a evento social. Mais tarde, aceito, em ocasiões que não pretendemos beber, porém jamais citar o motivo, mesmo sendo antibiótico. Banquista, que é importante no banco, porém não diretor, quer dizer, sem direito a voto.

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E O MEU MUNDO CAIU (TOMO I) Estão dando a última pá de cal em La Belle Aurore, minha primeira cabana cumbucana, que me fez passar às calendas como maior anfitrião do Cumbuco, perante alentadíssima relação de hóspedes, para refeições ou até mesmo dormitório. Embaixador e Embaixatriz da França. Condessa Pereira Carneiro, dona do Jornal do Brasil. Ministro Armando Falcão. Maior Prefeito de Fortaleza de todos os tempos, Vicente Fialho. Grande ator Paulo Gracindo e seu capanga cearense Milton Moraes, em Bandeira Dois. Tamba Trio, com Luizinho Eça, Bebeto e Hélcio Milito, que se apresentou em madrugada memorável. Industrial Luiz Eduardo Campello e sua mulher Alice, quatrocentona Morais Barros de São Paulo. Diretoria do Centro Industrial do Ceará, a quem presidente da Fiec, José Flávio Costa Lima, vinha de passar a entidade. Governador Virgílio Távora e primeira-dama Luíza, que proclamou, na ocasião, Gonzaga Mota como sucessor do marido. Evaldo Gouveia, do Trio Nagô, muitas e muitas vezes. Um dos mais festejados alergistas do Brasil, Bruno Negreiros, trazido por Beatriz Philomeno. Editor em Vogue brasileiro, que por sinal não emplacou, Luiz Carta. Dr. Zeedson Pontes, que participou da mesa cirúrgica do Presidente da França. Em ocasiões diferentes, Airton e Edson Queiroz Filho. Colóquio de Oculistas, promovido por Alzemir França, da extinta King Jóia. Com prima Helena Jereissati, Maristher Gentil, sociedade cearense dividida em três tempos, antes, durante e depois dela, campeã da criatividade. Presidente da Academia, Cláudio Martins, que veio jantar com pernoitantes Hermenegildo e Nádia Sá Cavalcante. Péricles (Pekim) Moreira da Rocha, que, por um triz, perdeu a Prefeitura de Fortaleza para Murillo Borges. Rômulo Mayorana, tocador de O Liberal, grupo primaz de comunicação do Pará, jornal, rádio, televisão. Rubens Costa, um dos maiores do Banco do Nordeste, trazido por Sílvia e Hilário Macêdo. Glorinha Sued, já então ex-mulher do Ibrahim, que veio ver o Papa. Campeão mundial Jairzinho, artilheiro da última Copa que o Brasil ganhou jogando bola. José Rodolfo Câmara, da revista Fatos & Fotos. Médico humanitário Pontes Neto. Primeiro diretor de televisão no Ceará, Guilherme Neto, o Barão. Estrela de televisão Marisa Urban, jurada do meu programa favorito, Flávio Cavalcanti. Capitão dos Portos Casales, que chegou a almirante e afirmou que o Cumbuco era uma praia que visitava tranquilo, por estar tudo regularizado com as leis da Marinha. Raul Cortez e sua estonteante Tânia Caldas, trazidos por Roberto Targino. Adauto Bezerra e Tasso Jereissati, que jantaram juntos em minha varanda, sem sequer desconfiar que se enfrentariam, poucos anos depois, pelo Governo do Estado.

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Dr. Sálvio Pinto completa informações prestadas na coluna de antonte sobre centenariante Fernando de Campello Gentil, de quem foi aluno. Diplomado pela Faculdade da Praia Vermelha, em 1942, primeiro médico brasileiro a realizar Residência Oncológica no Memorial Sloan-Kettering de Nova York. Ao término, dr. George Pack, um dos maiores do mundo, o convidou pra seu assistente. De volta ao Brasil, tornou-se um dos pioneiros do ensino, no Hospital A.C. Camargo. Onde formou centenas de especialistas espalhados, hoje, por toda América Latina. Estudioso e inovador, idealizador de várias técnicas, sendo que a de mama recebeu batismo de Operação de Gentil.

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No meu Minuto da CBN, que decididamente bombou, abordei, semana passada, João Marques Belchior Goulart. Primeiro, citando declaração de seu fiel escudeiro, Assis Brasil, chefe da Casa Militar. Que não saiu de seu lado nas derradeiras horas brasileiras, tendo ido até o exílio uruguaio. Perguntado sobre o que tinham conversado na última noite, respondeu que absolutamente coisa alguma. Afirmando que o Presidente era excelente cozinheiro e preparara a melhor tripa paulista que já havia comido. Aliás, sempre achei Jango pessoalmente um grande sujeito, embora não pra administrar um país.

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Transcorre hoje centenário de nascimento de Fernando Campello Gentil, terceiro filho dos nove emitidos por seu João e dona Sara. Nascido na Avenida João Pessoa, em Fortaleza, embora não na Reitoria, formou-se em Medicina no Rio de Janeiro. E especializado em Cancerologia, tornou-se famoso em São Paulo, onde veio a perecer, batido por abatimento cardíaco. Um dos momentos mais dolorosos de sua carreira foi quando, proposto para retirar um seio da irmã caçula Ivone, teve de eliminar os dois. Casado com americana, Ellen, que lhe gerou quatro, Fernando e Patrícia, cariocas, Eduardo e Cecília, paulistas. Tempos depois de separado, teve ligeira revoada cearense, com Lilian Ramos, durante Carnaval, que, porém, durou pouco.

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Após tempão, reencontro Ronaldo Torres, primogênito de Valmir Rosa, que esteve no cerne da grandiosidade do BIC dos Bezerra. Quando ainda morava em Fortaleza, tentei fazê-lo presidente do Ideal, pois sugeria as pré-condições administrativa e social. Entretanto, não me pareceu muito interessado, talvez mesmo porque, segundo se dizia, pretendia mudar pra Itália. Por sinal que frequentou, e penso, mais de uma vez, a lista dos Dez Mais Elegantes, que eu assinava. Afinal de contas, reunia duas condições altamente favoráveis, em se tratando de um cavalheiro e um fidalgo. Assim, foi com muita alegria que eu revi em um domingo, primeiro do ano, para mim, no Ceará.

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Sim, é Verdade, vem de partir um dos mais interessantes de minha geração, Célio Fontenele, que pertenceu às Turmas do Náutico e Ideal, sem ser de nenhuma, pois não era de curriola. Sim, é Verdade, Zeneida Rangel representa perda dupla, pois afilhada de casamento e comadre pelo batismo do filho. Sim, é Verdade, prefeito chegante de Caucaia, Vítor Valim, entrou trazendo presente de Ano Bom, limpeza da orla, o que inclui Cumbuco. Sim, é Verdade, colunista fidalgo Clóvis Holanda obsequiado com dois Sociedade Cearense, um em casa, outro, visando consulta no jornal. Sim, é Verdade, vaga no Supremo, se for pro Ceará, pode dar Raul Araújo, que já tem cadeira no STF. Sim, é Verdade, Ibiza foi primeiro restô em 2021 de Vânia e Aristófanes Canamary, que no final do passado curtiram Vesúvio e Recanto Gaúcho, só que em Ilhéus, na Bahia.

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Existe uma ilação, embora remota, de Roberto Cláudio Bezerra, que fez 50 de casado, com a fundação do Ideal. Seu avô, Otávio Menescal da Frota, foi um dos Doze das Damas que pioneirizaram o clube, em 1931. Porém, quatro anos depois, pediu aos colegas que o liberassem, por estar cada vez mais envolvido com o Sítio Jaçanaú, estrada de Maranguape. Seu provento mais velho, Alba de Mesquita Frota, amiga de Castello Branco, pereceu no desastre aviatório que abateu o grande Presidente. Aliás, foi num almoço em Paracuru, de Jorge Parente, que, em papo com a neta-nora agora jubilada, Graça, criei Reitorisa, para designar a mulher do Magnífico. Que vem a ser genitora do Prefeito que herdou o nome do pai.

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QUANDO CEARÁ CONQUISTOU O BRASIL. Emília Corrêa Lima atingiu, ano passado, segundo Jubileu Diamantino, quer dizer, 65 de sua grandiosa vitória em Quitandinha, que a fez representante do Brasil no Miss Universo. Quando dos Ouros, que, por sinal, eu também fazia, ensejei no palco do Centro de Convenções que o governador Virgílio Távora lhe entregasse uma placa, e hoje transcrevemos texto do colunista José Mauro Gonçalves, publicado no Diário da Noite, um dos três vespertinos mais lidos do Rio. Emília, desde o primeiro momento, tornou-se favorita. Era a mais procurada pelos fãs. Quando saía pelos corredores do hotel, vinha atrás uma multidão de admiradores, pedindo autógrafos. Já era vencedora, mesmo antes de homologada pelo júri. No Teatro Mecanizado, foi consagrada como a Mais Bela Mulher do Brasil. Sua vitória não desapontou ninguém, pelo contrário, foi recebida com geral agrado. Antes de embarcar para os Estados Unidos, Emília foi homenageada em São Paulo com uma festa à qual compareceu Martha Rocha, que lhe passara o cetro. A esse tempo, já tinha perdido cinco quilos, face transitação nos salões de beleza, casas de moda e atendimento a muitos convites. Depois, voltou ao Ceará e teve em Fortaleza a maior recepção já feita a um filho da terra. Passou apenas uma semana no torrão, partindo, então, para Long Beach, onde saiu semifinalista. Logo determinou que só compareceria a festa de caridade, e, assim mesmo, sem cobrar nada, tomou parte de muitas em benefício da campanha do câncer. Em véspera de largar a faixa, declarou à revista Manchete que, do famoso concurso, não saíra nem mais pobre, nem mais rica. Dos dólares recebidos para os gastos, não lhe sobrou um cent. Os presentes são sua única recordação, o mais comovente de todos, a rosa com que a brindou seu aluno primário Julinho. Foi laureada no Paraguai e, regressando a Fortaleza, anunciou seu casamento com o estudante de Medicina Honorato Ferreira Lima. O casamento aconteceu, só que, com oficial do Exército, o major Wilson Santa Cruz Caldas, o que faz dela hoje uma viúva. Martha Rocha me contou que, convocada pro encontro mensal de suas colegas vencedoras, jamais participou. Elas reconheceram uma questão de temperamento e nunca mais a chamaram. Entretanto, quase sempre tem vindo ao colóquio que todo ano colônia fortalezense de Camocim promove na cidade que foi ocasionalmente seu berço de nascença.