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De João Soares Neto, ocupante da cadeira 35 da Cearense de Letras, recebemos: A coluna do Lúcio Brasileiro, hoje, 17 de outubro de 2021, no O POVO, página 20, transcreve crônica do médico e escritor Airton Monte. Nela, AM, também psiquiatra das palavras, tecia loas ao decano do colunismo social cearense. Convivi com LB e atrevo-me a dizer que o texto faz jus à exponencial vaidade do filho de Aurora. Recomendo aos integrantes do Clube do Bode que ainda não viram, sua imediata leitura. Pois a rediviva lavra do clarividente marido da Sônia e seu protagonista merecem.

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Inovador do colunismo brasileiro, Zózimo Barrozo do Amaral era muito zeloso em sua coluna. Selecionando nomes e caprichando em só citar quem realmente ostentasse méritos para tal mister. Daí a alegria, quando vi minha foto no Jornal do Brasil, ao lado dos casantes Ana Maria Kerth e Reno Figueiredo, seu instrutor de tênis no Country do Rio. Acompanhado do seguinte texto: Lúcio Brasileiro, admirado tanto como profissional quanto como amigo. Aliás, ficou famosa sua resposta a cidadão que insistia em nota que só a ele interessava. Pode deixar que na sexta ponho, só que se tratava da cesta do lixo.

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RETRATO SEM RETOQUE Por favor, não se prestem a pensar que, reproduzindo o ensaio sobre este pobre marquês realizado pelo imortal sem fardão Airton Monte, estou puxando a brasa para a minha sardinha, acontece que a peça em questão, elaborada pouco antes de ele partir, foi a mais primorosa já escrita sobre o jornalista diário mais antigo do mundo. Nunca me passou pela cabeça esconder que sou verdadeiro admirador do nobre jornalista Lúcio Brasileiro, e que ele faz parte do meu restrito ciclo de admirações, não só pela feliz coincidência de ser irmão do meu querido concorrente Neno Cavalcante, ou porque meu pai o considerava um amigo e um de seus iguais, no vasto conhecimento sobre futebol. Como toda figura famosa e controvertida, o Lúcio não admite panos quentes ou mornidão em quem o lê, ou é amado ou odiado, por ter a ousadia e a coragem de expor claramente suas opiniões sobre assuntos que aborda em sua coluna no jornal, no rádio e na televisão. Durante o longo e profícuo exercício de sua profissão, o Lúcio criou uma linguagem e um estilo brilhantemente pessoal, inventando neologismos a torto e a direito, alguns dos quais, acho fertilmente criativos, e outros, perfeitamente dispensáveis, num periodista de sua categoria. No entanto, cada criador tem lá o seu estilo, e o Lúcio tem o dele, pessoal e intransferível, sendo elegantemente vaidoso e, demasiado cônscio de sua importância no jornalismo alencarino, não resiste à humana tentação de elogiar-se em causa própria, mas sem beirar as raias do mais deslavado cabotinismo, parecendo seguir à risca o que dizia de si mesmo o poeta Maiacovski: Sou narcisista porque posso. Apesar de não concordar com sua admiração mais que explícita pela Ditadura Militar, longe de mim querer condená-lo por isso, afinal, que direito tenho eu de julgar quem quer que seja? Não tenho Complexo de Deus nem guardo qualquer rancor por quem aderiu à quartelada de 1964. E admiro o Lúcio justamente pelo fato de dizer o que realmente pensa de tudo e de todos, como um jornalista que muito preza o seu ofício. Alguns dias faz, o Brasileiro tocou num tema que muito me interessa, a morte, descrevendo em sua prestigiosa coluna como deseja ser tratado depois de sua ida desta para a pior, logo ele, um hipocondríaco consumado, de carimbo e carteirinha, que costuma afirmar serem seus remédios os melhores amigos. Se há uma coisa que tenho inveja no Lúcio são os permanentes cuidados com a saúde, dos quais confesso ser irresponsavelmente desprovido. O Brasileiro fez uma espécie de testamento em pílulas homeopáticas, como deseja o velório, a roupa com que deve ser vestido, antes de depositado no caixão, maneiras como amigos devem se portar durante o velório, saiu um texto que nada tinha de lúgubre ou funéreo, mas eivado de lírica simplicidade de quem vive a vida com mamorosa intensidade. Após ler com atenção o tema assuntado pelo Lúcio com habitual maestria, bateu-me a vontade de pegar carona no mote por ele generosamente ofertado, e lá vou eu no mesmo rumo, só espero que a Bela Dama sem Piedade não tenha a menor pressa nem urgência para convidar-me ao indesejável passeio, porque ainda não terei tudo que anseio da vida, e há muito o que fazer, muito o que amar, muito o que gozar, muito o que sofrer, muito que me alegrar, hoje, amanhã e depois.

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Sim, é Verdade, este viageiro foi o primeiro brasileiro a furar bloqueio europeu. Sim, é Verdade, entrando em Portugal, Espanha e França com a vacina inaceitável. Sim, é Verdade, a própria TAP do Aeroporto Pinto Martins pretendeu impedir minha saída, porém acabou cedendo. Sim, é Verdade, só Deus mesmo, monitorando pessoalmente, poderia perpetrar o milagre que aconteceu. Sim, é Verdade, abrindo fronteira nos três países, que de modo algum importunou minha trajetória. Sim, é Verdade, resultando na viagem mais gloriosa que já fiz, e que durou 42 dias, incluindo os dez na disponível Suíça.

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Aguardada em Fortaleza pelos primos, agora em novembro, Celina Gentil, primogênita das quatro varoas do nosso saudoso João. Morante no Rio, vem especial abraçar madrasta nataliciante Mônica Sanford, viúva de seu pai. Aliás, ela é a terceira Celina Guinle do clã que nasceu na França, com Jean Arnauld, que migrou para Montevidéo e depois Porto Alegre. Sendo primeira, a tia de seu avô, Eduardo Filho, e segunda, a tia-avó de sua mãe. Que, por sinal, embora residindo aqui por muito pouco tempo, participou, em 1956, de minha lista das Dez Mais Elegantes. Era muito bonita e pode até ter se esforçado, mas não conseguiu gostar do Ceará.

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Bati à porta do Sociedade Cearense, para formalizar a primeira página nataliciante desta coluna de hoje, 13 de outubro. Cristina Miranda, viúva de Valman, um dos melhores tecidos humanos com quem hei convivido. Fernando Nogueira, afim da Aurora, marido da desembargadora Nailde Pinheiro, atual presidente do Tribunal. Aline Santa Cruz, distinta companheira de peregrinação artística por Barcelona .... Aristeu de Paula, da Família Varandas. Helena Cidrão, que perdeu Luiz .... José Auriz Barreira .... Mônica Gomes .... Lenilza Campos. João França Neto, filho do pioneiro da hospitalização infantil .... José Emygdio, marido de Maria José, da Academia da Porcelana.

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Especialista na composição de rodas, Beto Studart fez presença sextafeirina no Ibiza. Trazendo parte da ala marmanja a quem proporcionou, tempos atrás, aquele voo Aruba-Curaçao. Estou falando, no caso, em Pádua Lopes e Cláudio Targino, que acompanhou o Degas Aqui ao violão, no mar do Caribe. Completavam a tarde paracumbucana Antunes Mota, Carlos Augusto Moraes e Reginaldo Vasconcelos, presidente da Academia de Literatura e Jornalismo. Que bem poderiam estar a bordo do pássaro de aço naquela bendita ocasião, se o voo não tivesse lotado antes da largada. Aconteceu a estreia do maitre Aldery, que, não se fazendo de rogado, pôs quase imediatamente o casquinho de lagosta na mesa.

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Nem sempre um dito brilhante parte de intelectual ou de alguma sumidade literária. Por exemplo, este conceito genial, que divulgo a seguir, partiu de um empresário. Aloysio Salles, homem de negócios, cunhou esta maravilha: Toda mulher deveria ser um gentleman. Aliás, quando Jacinto de Thormes ofereceu um jantar a Emília Corrêa Lima. Escalou exatamente o senhor em questão para dar a sua direita à Miss Brasil, tal sua fama de excelente conversador. E ele contou depois que Emília lhe havia dito "cheguei a rezar para não ser eleita Miss Brasil".

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Celina Guinle foi uma das perdas deste findante 2021, aliás, forçando um tanto a barra, pois morava no Rio há dezenas de anos. Logo após seu casamento com engenheiro cearense Joãozinho, caçula dos varões de "seu" João e dona Sara, o marido a trouxe para Fortaleza, onde ocuparam um apartamento num prédio que Carlos Jereissati construíra vizinho ao Ideal, e que hoje está no chão. Gerou quatro filhas cearenses, Celina, Heloísa, Ana Maria, Thereza, mas não conseguiu se adaptar. O João até que se esforçou para que ficasse, e a seguir foram morar continuando bem próximo ao Ideal, na Dr. Pompeu, casa com piscina, que depois ele passou pro irmão Luiz, e que eu batizei de "Castelo de Bolso". Celina teve um filho carioca, que pegou o nome do pai e do avô, que ficou aqui uns tempos, até se mudar pro Hawai, levando a mulher Picanço. Celina tem poderosa ascendência, e não apenas Guinle. Sua mãe, por exemplo, descende dos quatrocentões Monteiro de Barros. Nossa protagonista da coluna de hoje nasceu de uma família de doze, oito varões e quatro moças, tendo ela sido terceiro filho, no geral, e a segunda mulher. Seu pai, que conheci pessoalmente, quando veio pro casamento de Sandra Gentil, cuja recepção foi em casa de sua filha, batizou muitos dos seus com os nomes dos tios, Celina, por exemplo, herdou da tia de seu pai, que esposou Linneo de Paula Machado, e deu a geração que tomou conta do Jockey Club e do Banco Boa Vista. Os irmãos de Celina foram, pela ordem de berçância, Eduardo Guinle Neto, Heloísa Maria Guinle, Thereza Maria Guinle, Guilherme Eduardo Guinle, Branca Maria Guinle, Arnaldo Eduardo Guinle, Francisco Eduardo Guinle, Jorge Eduardo Guinle, Mário Eduardo Guinle e Gilberto Eduardo Guinle, todos ostentando o nome do avô, que foi um notável bon vivant e ficou famoso por ter fretado um trem inteiro na Alemanha para que uma joia que comprara para a amante chegasse em tempo de ser uma surpresa. Se querem saber a linhagem de Celina Guinle Gentil, tudo começou na França, com Jean Arnauld Guinle, que migrou para Montevidéo e depois Porto Alegre. Ele foi tio-avô de Celina, pai de Eduardo Palassim, que casou com Guilhermina Coutinho, geraram os filhos Eduardo, o primeiro, avô de Celina, Guilherme, Carlos, Octávio, Celina e Heloísa. O maior negócio da família foram as Docas de Santos e, o início de toda fortuna, partiu de um armarinho, Aux Tuileries, no Centro do Rio, sociedade de Eduardo Palassim e Cândido Gafrée.

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Num dos meus recentes Minuto-Minutão de O POVO-CBN, proclamei uma verdade cristalina. Que, durante tempão, casamento na sociedade cearense só valia se fosse celebrado por frei Ambrósio e tivesse os perus produzidos por Rita Mendes. Alcunhada de "Banqueteira" pelo Renan Braga, que, tal Lustosa da Costa, filava, vez por outra, o almoço na Torre do Iracema. Ela foi minha cozinheira por dezenas de anos, tendo servido também de empregada a dois pobretões, José Carneiro e Pedro Philomeno. Era a favorita da Yolanda Queiroz, que muito apreciava os seus filés e sobremesas insuperáveis. E de outra anfitriã, que sempre a chamava para seus jantares a rigor, Sílvia Macêdo.