Vesperal das moças

A sessão chic do extinto e eternamente saudoso Cine Diogo acontecia após a praia, às cinco horas do domingo. Ali estava toda a classe média, inclusive a dita B1, que era (é) a alta.

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Em seus gloriosos primeiros tempos, o Cine São Luiz, então o melhor do Brasil, exigia paletó, ainda assim, depois do almoço, Flávio Marcílio, fugindo do barulho das crianças, ia dormir no cinema, dotado de ar-condicionado.

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O filme “Gilda”, que levou Rita Hayworth ao estrelato, anunciada em cartaz que dizia “Jamais Haverá no Mundo Outra Mulher Como Gilda”. Em geral, os críticos estão longe de colocar essa película entre as maiores, mas o sucesso foi grandioso, sobretudo a cena do striptease, que consistia apenas em a atriz tirando uma luva enorme e deixando o braço nu.

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Melhor desempenho da grande Bette Davis no cinema ficou por conta de “A Carta”, baseado no conto de Somerset Maugham. E como diretor foi William Wyler, comentou-se na época que a atriz teria tido um caso com o cineasta, durante as filmagens, affair jamais confirmado.

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Quando chegou a Hollywood, vinda da natal Suécia, Ingrid Bergman não quis entrar no manejo da Meca do Cinema e se negava a pagar os convites que os colunistas lhe mandavam, para suas promoções. A solução foi o próprio estúdio honrar, evitando que a atriz fosse parar na lista negra deles.

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Um dos cinemas que mais me dão saudade é o Rex, da Rua General Sampaio. Tinha uma sessão diária, às sete da noite, porém a sensação eram as vesperais dos domingos, que reuniam toda a juventude dos arredores. Foi ali que assisti a “Quando Fala o Coração”, único filme que Ingrid Bergman fez com Gregory Peck.

Vesperal das Moças

Ingrid Bergman moveu todos os seus pauzinhos para ser a Maria em Por Quem os Sinos Dobram, uma das duas vezes que contracenou com Gary Cooper, ambas sem muito sucesso, e foi brilhar precisamente naquele filme que nunca a empolgou, Casablanca.

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Em relação a Ingrid Bergman, “Casablanca” trouxe uma peculiaridade, tendo sido o único filme em que ela não contracena com mulher, que, aliás, quase sempre detestava, era, bem dizer, uma fêmea, heterossexual de mão cheia, que só com homem poderia encontrar o prazer.

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Praticamente expulsa pelo Senado, último filme de Ingrid Bergman nos Estados Unidos, em 1948, não fez sucesso. “Sob o Signo do Capricórnio”, em que voltou a contracenar com Joseph Cotten, não agradou nem ao público nem à crítica.

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Quando Ingrid Bergman quase fugida dos Estados Unidos acompanhou o diretor Robert Rosselini e foi morar na Europa, recebeu a visita de Gregory Peck, que a abordou da seguinte maneira: Lá, você era uma rainha, e, aqui, quem é você? A resposta foi: Uma mulher feliz.