Jamais lamentarei

Ter deixado a clínica que me atendia e procurado o dr. Valter Justa, afetado pelo glaucoma, e ter conseguido controlar os níveis da pressão e hoje estar enxergando até as verdes.

Jamais lamentarei

Nunca ter casado, pois Jesus Cristo também nunca casou, logo não deve ser esses balaios todos.

Jamais lamentarei

Ter ingressado na Faculdade de Direito, pois portador de brilhante vestibular, e dela ter saído após três meses, pois não tinha queda nem pra banca nem pra barra.

Jamais lamentarei

Ter eleito Ibiza, na Espanha, e Villefranche, na França, como meus novos domicílios e as cidades de onde pretendo partir para aquele encontro definitivo.

Jamais lamentarei

Ter tomado coragem e bater na porta de dona Albanisa Sarasate, no Hotel Regina, do Rio, me oferecendo para trabalhar em O POVO. E quando ela me disse que quem decidia era o Paulo, eu fiquei certo de que já estava lá, o que resultou no grande salto da minha carreira. Aconteceu em agosto de 1961.

Jamais lamentarei

Ter feito uma jura de nunca mais pisar em Rio, São Paulo e Brasília ou qualquer cidade brasileira, a não ser, e não sei se ainda, minha amada Salvador.

Jamais lamentarei

Ter feito de Lustosa da Costa amigo número um de minha ainda curta vida.

Jamais lamentarei

Ter saído da casa de meus pais, na Dom Luís, para ir morar no Hotel Iracema Plaza, onde passei anos maravilhosos, dando festa quase todo dia. Foi o Cláudio Figueiredo quem me levou pra lá, e, depois, seu tio Chico Philomeno me manteve ali por 25, pagando uma diária que eu mesmo estipulava, naturalmente irrisória.