Jamais te esquecerei

Jogos dominicais do Presidente Vargas. Meu pai Natalício ia me deixar, estando eu algumas vezes acompanhado de meu partinte irmão Nilson, que não era muito de futebol. Um dia, eu esqueci de pedir o dinheiro da volta, pois tinha que pegar dois ônibus. Resultado, vim a pé do estádio até nossa casa, na Avenida Dom Luís.

Jamais esquecerei

Antigo bar do Copacabana Palace, onde estava todo fim de tarde, reunido com amigos jornalistas, até mesmo cearenses, como o insuperável Orlandino Rocha. Depois que os Guinle venderam o hotel, nunca mais voltei lá. Aliás, faz 30 anos que eu não vou ao Rio.

Jamais me arrependerei

De ter aberto o Ugarte, que ainda está lá e é palco, toda última sexta de novembro, para o almoço confraternativo da Escola Unidos do Natal, e a Barraca Waikiki, que a Semace, derrubando, prestou perfeito desserviço ao turismo cearense.

Jamais lamentarei

Ter deixado a clínica que me atendia e procurado o dr. Valter Justa, afetado pelo glaucoma, e ter conseguido controlar os níveis da pressão e hoje estar enxergando até as verdes.

Jamais lamentarei

Nunca ter casado, pois Jesus Cristo também nunca casou, logo não deve ser esses balaios todos.

Jamais lamentarei

Ter ingressado na Faculdade de Direito, pois portador de brilhante vestibular, e dela ter saído após três meses, pois não tinha queda nem pra banca nem pra barra.

Jamais lamentarei

Ter eleito Ibiza, na Espanha, e Villefranche, na França, como meus novos domicílios e as cidades de onde pretendo partir para aquele encontro definitivo.

Jamais lamentarei

Ter tomado coragem e bater na porta de dona Albanisa Sarasate, no Hotel Regina, do Rio, me oferecendo para trabalhar em O POVO. E quando ela me disse que quem decidia era o Paulo, eu fiquei certo de que já estava lá, o que resultou no grande salto da minha carreira. Aconteceu em agosto de 1961.

Jamais lamentarei

Ter feito uma jura de nunca mais pisar em Rio, São Paulo e Brasília ou qualquer cidade brasileira, a não ser, e não sei se ainda, minha amada Salvador.