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Logo depois da Revolução de 64, maioria dos deputados queria reeleger Ranieri Mazzili, que vinha, há anos, sendo Presidente. Porém, Castello não podia concordar, porque, sem ser propriamente um corrupto, o parlamentar paulistano era um concessionário, dando raias aos apetites muitas vezes exagerados dos colegas. Assim, Castello lançou Bilac Pinto, um dos mais corretos políticos de Minas Gerais, que foi eleito por pequena margem, e se conduziu com notável respeito à causa pública.
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Categoria: Apanhado político
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Para se opor às justas aspirações de Lacerda, Castello Branco começou ouvindo seu colega Golbery, que defendia a exótica ideia de não se eleger um homem, e sim um programa, quando brasileiro vota é no homem, e não em programa. Como castigo, Castello teve que engolir Costa e Silva, que conhecia muito bem e sabia não ter as condições exigidas para o exercício do poder central. E, além do mais, já tinha se estranhado com suas coronárias, algum tempo atrás.
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Castello Branco pretendia fazer sucessor um civil. Seu nome era Bilac Pinto, que conhecera num almoço em casa de Paulo Sarasate, na Rua Assunção, quando, na qualidade de Presidente da UDN, veio prestigiar a posse de Virgílio Távora no Governo. Homem seriíssimo, que conseguiu até moralizar a Câmara dos Deputados, Bilac era respeitado pelos militares, porém não tinha liderança na tropa. Se Castello tivesse apoiado Lacerda, provavelmente a linha dura não teria tido condições de impor Costa e Silva, a quem Castello teve de engolir garganta adentro.
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O general Castello Branco não foi candidato militar à Presidência, na queda de Goulart. Ele foi candidato dos governadores civis, liderados por Carlos Lacerda, que levaram seu nome a Costa e Silva, o todo-poderoso Ministro da Guerra, que apenas homologou, não inteiramente à vontade, o apontado pelos chefes dos Executivos estaduais que haviam formado com a Revolução, quando seu favorito era paulista Carvalho Pinto.
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Prefeito de Juazeiro, Arnon Bezerra, foi sete vezes deputado federal, uma vez mais que seus tios Humberto, Orlando e Adauto, que, juntos, só obtiveram seis mandatos. Trata-se de um Quezado, só que do Crato, o que o torna um membro não muito próximo do clã da Aurora, do qual sou titular.
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Não é exagero se dizer que Carlos Jereissati foi feito senador com os votos da esquerda. Tinham um candidato, o padre Arquimedes Bruno, que foi vetado pelo arcebispo Dom Antônio de Almeida Lustosa, que não queria religioso na política. Então, aderiram ao Jereissati, que, apoiando o Governo de Goulart, estava na linha considerada progressista e era filiado ao PTB, partido das reformas.
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Ingressando na política em 1954, como deputado estadual, Expedito Machado partiu pra federal, em 58, obtendo último lugar, e, quatro anos depois, deu o salto, sendo o mais votado do PSD. Feito ministro da vastíssima Viação e Obras Públicas, se tornou o candidato mais viável para a sucessão de Virgílio Távora, porém o Governo caiu, e Expedito teve seus direitos políticos cassados, interrompendo uma carreira que estava com toda corda.
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Quando Juscelino veio ao Ceará em campanha, procurou Osvaldo Studart, da Ford, que havia sido seu colega na Constituinte, mas não se candidatara à reeleição. Falaram de Banco do Nordeste, e JK acenou a possibilidade de fazer do amigo presidente. Acontece que Studart morreu no início de 1956, quando Juscelino ainda costurava o Governo.
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Falam bastante de desarranjos finais entre Virgílio Távora e os irmãos Bezerra, até mesmo que Adauto teria desistido do Senado, em 78, por não confiar mais na lealdade de VT. Agora, o que eu sei, porque participei, foi que a missa de décimo aniversário de morte foi paga pelos gêmeos.
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Prensado por um grupo militar, embora pequeno, que apregoava sua amizade com presidente deposto João Goulart, Virgílio Távora cedeu a algumas pressões, baseado no princípio segundo o qual “humildade perante os fatos”, e, realmente, quem estava mandando eram os tanques.
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Algum tempo depois da eclosão da Revolução de 64, telefonei para o coronel Hélio Lemos, que teria sido o inspirador militar do Movimento aqui, que na época servia no Rio, para tomar um drinque no Hotel Glória, onde eu me hospedava, e ali lhe perguntei se achava justo o que alguns colegas seus tinham feito, pretendendo derrubar Virgílio Távora, que recuperava o Estado, após uma série de governos desvocacionados. Sua resposta foi: O que houve contra o Virgílio, lá no Ceará, foi totalmente gratuito, nada teve de revolucionário.
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Em sua brilhante longa carreira de 40 anos, Virgílio Távora só teve uma derrota, foi em 1958, perdendo o Governo do Estado para Parsifal Barroso, cuja essa honra ninguém tira, foi único a bater VT nas urnas, ajudado pela Grande Seca, que levou o presidente Juscelino a abrir as porteiras do DNOCS para seu ministro Parsifal.
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Plácido Castelo nunca foi bom de urna, tendo ficado uma ou outra vez até como suplente, na Assembleia. Quando se aproximavam as eleições de 1962, ele procurou seu amigo Edgar Damasceno, para que conseguisse dos lojistas financiamento de um colégio no sertão. Edgar teve um lampejo e disse: Plácido, você não é homem pra deputado estadual, nosso Clube vai lhe botar federal. Pois bem, Plácido saiu Governador, onde se foi muito bem, e fez de Damasceno presidente do Banco do Estado.
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O ministro Jarbas Passarinho tinha um sobrinho, filho da irmã favorita, que pretendia um lugar no Governo paraense. Acontece que os órgãos de Segurança do Estado vetaram, e Passarinho foi solicitar a intervenção do presidente Médici, cuja reação foi a seguinte: Vou mandar apurar, mas se a denúncia for confirmada, você vai desconvidar seu sobrinho.
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Todo brasileiro deveria ler o depoimento do jornalista Carlos Chagas sobre as heranças pessoais dos presidentes militares, para admirar os brasileiros fardados ou admirar ainda mais. Todos deixaram patavina ou quase nada, havendo mesmo caso de a família não poder alugar um mísero apartamento legado, porque todo esburacado e ninguém queira morar ali.
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Os militares escolheram um político civil para governar o Paraná. O cara logo prevaricou, tentando fazer caixa em cima de um empreiteiro, que teve o cuidado de pôr um gravador debaixo de um banco onde se encontraram no Rio. A fita foi parar na Presidência, e embora pertencesse ao partido que apoiava o Governo, Geisel o derrubou.
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O general Ernesto Geisel era o presidente quando soube que um senador por Pernambuco fora flagrado tentando achacar um industrial. Embora de seu próprio partido, a Arena, lhe cassou direitos políticos imediatamente, sem dó nem caridade.
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Castello Branco ficou uma fera quando soube que, já tendo Tribunal de Contas do Estado, haviam inventado um Tribunal de Contas exclusivo para Fortaleza. Ordenou imediatamente que ele fosse extinto e cada integrante ficasse recebendo por tempo de serviço.
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A Revolução de 64 descobriu que Assembleia Legislativa do Ceará tinha chegado ao absurdo de 65 deputados, mandou então que acabassem com esse festim de Baltazar e reduzissem para a metade. E assim teve de ser feito.
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Acrísio Moreira da Rocha foi único populista de verdade da política cearense. Pertencendo a partido pequeno, foi conduzido duas vezes à Prefeitura de Fortaleza. E houve quem dissesse que teria tido uma terceira, se tivesse sido o candidato, em 62, no lugar do irmão Péricles. Não penso assim, pois os tempos começavam a ser outros.
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