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Juarez Távora perdeu pra Juscelino Kubitschek por apenas 400 mil votos. Se Plínio Salgado, candidato dos integralistas, que teve 600 mil, houvesse desistido, como foi peitado, essa votação quase toda teria passado para Juarez e então teríamos um Presidente que, entre outras vantagens, não construiria Brasília.

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Dona Darcy Vargas, mesmo acamada, fez questão de receber Carlos Lacerda, a quem ponderou as injustiças que cometia jornalisticamente com seu marido. Lacerda se comoveu e pensou em atenuar a campanha contra o Presidente, porém não conseguiu dominar a si próprio e continuou, até derrubá-lo, o que motivou seu exílio em Cuba.

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O embaixador Gilberto Amado, que falava onze línguas e tinha sólidos conhecimentos do hebraico, quando Getúlio Vargas lhe inquiriu por que fazia tanta questão de governar Sergipe: Para roubar, Presidente, para roubar e roubar muito.

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Na sua segunda eleição pra deputado estadual, representante de Mombaça, Paes de Andrade, pretendeu a Presidência da Assembleia, e, em não conseguindo, o governador Parsifal Barroso, eleito em 1958, contra Virgílio Távora, lhe fez Secretário da Justiça, que não era bem sua praia, pois, entre outros misteres, tomava conta dos presídios. Depois, do meio pro fim, Paes foi substituído por Mauro Benevides, em primeiro mandato.

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Além da Justiça, Armando Falcão exerceu interinamente outras pastas no governo de Juscelino, tal Saúde, onde, numa peleja com dona Sara Kubitschek, que pretendia ajudar instituição católica de Minas, que não constava no orçamento, Juscelino lhe deu razão, se pondo contra a Primeira-Dama, sua mulher.

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O empresário Osvaldo Studart Filho, pioneiro Ford no Ceará, foi deputado federal constituinte, porém não quis disputar um segundo mandato. Fez amizade com seu colega Juscelino Kubitschek, que, quando veio em campanha ao Ceará, acenou que gostaria de fazê-lo presidente do Banco do Nordeste. Só que Studart morreu antes da posse, no início de 1956.

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Meu amigo José Macêdo nunca foi um grande deputado, mas cabe a nós lhe fazermos justiça, pois bem tratou de não ser, convidando primeiro Raul Barbosa, que grandiosamente, como era de meu feitio, não aceitou, e depois, seu irmão Antônio, que partiu dias antes da eleição, aí, então, pioneiro trigal não teve outro jeito, senão entrar.

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Carlos Lacerda teve um correligionário, aquele Amaral Netto da televisão, com quem depois se desentendeu, tendo sido assim definido por ele: Este cidadão tem todos os meus defeitos e nenhuma de minhas qualidades.

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Parsifal Barroso não era um administrador nem um político, tanto que só cresceu quando teve o sogro Chico Monte ao seu lado. Sua vocação era de professor.

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A Rebelião dos Marinheiros, que foi o ponto de partida para os militares derrubarem o presidente João Goulart, o encontrou pescando bem longe dos centros do poder, Rio e Brasília. Mandaram buscá-lo e, ao desembarcar, tudo que disse foi: Vim para tomar pé.

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Paulo e Albanisa Sarasate deram jantar para Castello Branco, no tradicional número 20 da Rua Assunção. Dois governadores de estados vizinhos, Agripino, da Paraíba, e Sarney, do Maranhão, pediram ao anfitrião que falasse com o Presidente para eles comparecerem, já que Plácido, do Ceará, estava entre os convidados. Castello assentiu, e eu observei de muito próximo o comportamento dos três: Sarney, o mais falante; Agripino, o mais objetivo; e o nosso Plácido, o mais discreto.

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O padre Arquimedes Bruno teria sido candidato, e seria eleito, a senador, em 1962. Acontece que Sua Eminência Reverendíssima Dom Antônio de Almeida Lustosa, usando a prerrogativa de Arcebispo Metropolitano, vetou. Então, Arquimedes e as esquerdas sufragaram Carlos Jereissati, que bateu Tancredo Halley, lançado na chapa da União Pelo Ceará.

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Nenhum político cearense ou talvez do Brasil teve década tão brilhante quanto prof. Parsifal Barroso, que iniciou os anos 50 como deputado estadual, foi logo a seguir eleito federal, depois senador, Ministro do Trabalho, fechando como Governador.

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Ainda hoje não se sabe quem ganhou as eleições de 1954. Paulo Sarasate assumiu, porém, anos depois, viajando com Armando Falcão, Virgílio Távora lhe perguntou: Doutorzinho, quer ser Governador do Ceará, de novo? Sugerindo que Falcão havia vencido, todavia foi “tomado” no Tribunal.

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Sérgio Philomeno bancou duas eleições do irmão Cláudio à Câmara Federal, mas ele próprio só teve um mandato, em 1982. No pleito seguinte, já financeiramente alquebrado, mentalizou uma estratégia, formando uma chapa com candidatos que seguramente receberiam pouca votação. Cogitava que, somando essas ninharias, conseguiria obter uma vaga, que seria para ele, pois sairia em primeiro. Errou duas vezes, o partido não elegeu ninguém, e se tivesse elegido, não era ele, já que apareceu um companheiro mais votado.

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Filho da legenda sobralense José Saboya, Ernesto só teve uma eleição para deputado federal, em 1958, quando ficou em último lugar. Foi um bom parlamentar, até o dia em que entrou numa fria, envolvendo uma lei aprovada pela Câmara, segundo a qual os deputados podiam importar carro sem pagar as taxas ao Fisco. Pressionado por Carlos Lacerda, o Senado derrubou, porém Saboya, que havia sido um dos líderes da empreitada, ficou marcado, a ponto de sobrar no pleito seguinte.

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Em sua visita ao Ceará, logo após 64, o governador Carlos Lacerda começou por Juazeiro, onde foi recebido pelo coronel Humberto Bezerra, que havia sido escolhido Prefeito do Ano, na promoção dos Associados. Depois, veio para Fortaleza, onde foi homenageado com um almoço, no Náutico, e eu estava lá.

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Os desportistas devem ter esquecido, porém Expedito Machado, quando deputado estadual, foi escolhido presidente da Federação Cearense de Futebol e se destacou, inclusive, iluminando o Estádio Presidente Vargas. A crônica o apoiou, mas os que vieram depois não souberam reconhecer a sua atuação, sempre omitida nos meios de comunicação.

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Virgílio Távora, em 66, e Adauto Bezerra, 12 anos depois, quando deixaram os respectivos governos, obtiveram brilhantes votações, porém não padece dúvida de que a maior de todas foi a de Ciro Gomes, para o mesmo posto, deputado federal.

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Moysés Pimentel, exatamente o oposto do empresário selvagem, foi candidato a deputado federal, em 1962, e obteve sua cadeira por meio de uma belíssima votação, pois sufragado praticamente em todos os municípios, tendo como base Fortaleza, onde obteve mais de dez mil. Teve os seus direitos políticos suspensos na Revolução de 64, acusado de comunista, que absolutamente não era. Vencido o prazo, voltou, mas aí sem a velha fleugma. Foi um dos injustiçados.