Vã filosofia

O jornalista Nertan Macêdo, que foi o mais brilhante porta-voz governamental já havido no Ceará, explicava a diferença entre sentimental e emotivo, sendo sentimental dizendo mais respeito à alma, enquanto o emotivo se revela na ocasião e logo passa.

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Meu oceano favorito é o Mediterrâneo, por sinal, o único onde me banho, nas férias em Ibiza. Em segundo lugar, cito o Pacífico. Quanto ao Atlântico, de águas turvas, considero um verdadeiro porre.

Vã filosofia

Mais digno de pena do que o pobre é aquele que se torna rico e continua pobre, quer dizer, incapaz de usufruir as benesses e o luxo que só o vil metal traz.

Vã filosofia

Tem empresário que, pagando em dia o salário dos seus empregados, acha que aí se encerram suas obrigações para com eles. Em verdade, elas estão apenas começando.

Vã filosofia

Pode-se bater na porta do vizinho se for para pedir emprestado sal, açúcar e vela. Água não pode, pois provavelmente vai fazer falta a quem está sendo solicitado.

Vã filosofia

Passo pra vocês o meu procedimento quando morava em Fortaleza e recebia. Convidava uma pessoa uma vez, dava uma desculpa e não vinha; chamava uma segunda, outra desculpa; então, mesmo que os motivos parecessem justos, nunca dava a terceira chance. Comigo mesmo não, violão!

Vã filosofia

Em sepultamentos ou funerais, evite perguntar, a quem quer que seja, se vai tudo bem, pois os sentimentos e as circunstâncias induzem que, naquela triste ocasião, nada pode ir tão bem.

Vã filosofia

Se você fez um pedido a um amigo e foi atendido, evite fazer outra solicitação na mesma hora, pois a tendência é receber um não.

Vã filosofia

Quando o provocante filme “Gilda” foi lançado, os cartazes anunciavam, na Praça do Ferreira: Jamais Haverá no Mundo Outra Mulher Como Gilda. Como jamais haverá outra Miss Brasil como Martha Rocha, com ou sem duas polegadas a mais.

Vã filosofia

Tem um presente que ninguém pode dar aos noivos, nem mesmo os padrinhos. Trata-se, no caso, do quarto do casal, que é uma exclusividade do noivo, que só ele pode presentear.

Vã filosofia

Nas Festas, tenha o maior cuidado em evitar desejar muita paz a parentes, amigos ou até mesmo conhecidos, simplesmente porque muita paz só se obtém no cemitério. Então, desejar muita paz equivale a predizer a própria morte.

Vã filosofia

Quando percebeu haver produzido as quatro grandes gafes, a pobreza, a velhice, a feiura e as doenças, Deus pretendeu acabar com o mundo, que aquele Noé, idiotamente, impediu.

Vã filosofia

Locutores de solenidades oficiais martelam erradamente, “queremos agradecer a presença das autoridades civis, militares e eclesiásticas”. Acontece que não existe especificamente autoridade eclesiástica, o bispo, por exemplo, é uma autoridade civil, pelo simples fato de que não se trata de uma autoridade militar. Assim, para efeito de saudação, as autoridades ou são civis ou são militares.

Vã filosofia

Pensando bem, não parece lógico que se parabenize aniversariante, pois é difícil admitir ser pertinente abraçar pessoa que está envelhecendo, que, pesado e medido, vem a ser um castigo.

Vã filosofia

Existe um pecado verdadeiramente mortal, que não dá direito sequer a purgatório, estou me referindo, no caso, a falar mal da vida alheia, com ou sem o propósito de querer derrubar.

Vã filosofia

Eis a regra, que eu passo pra vocês, com as denominações certas, por exemplo, peixe é pescado, não é marisco; lagosta e camarão são mariscos, não são frutos do mar; ostra e mexilhão são frutos do mar, não são mariscos.

Vã filosofia

A voz corrente parece querer estabelecer que camisa é pra homem e blusa pra mulher, todavia não é bem assim. Blusa atende ambos, e camisa, embora menos, também, a não ser que seja de vênus.

Vã filosofia

Aquela sandália popularizada no mundo inteiro só é cafona quando chamada de Japonesa, se de Havaiana, não é.

Vã filosofia

Duvide da educação da mulher que, quando o cavalheiro lhe passa um salgado ou canapé com a mão, se sai com a pergunta terrível: Onde foi que você pôs essa mão?

Vã filosofia

“Humildade perante os fatos” era como dizia o saudoso Virgílio Távora, quando uma pequena parte de guarnição militar local pretendeu, após a Revolução de 64, apeá-lo do Poder, por ser amigo do Presidente defenestrado, João Goulart.