Bola rolando

Se Leônidas da Silva foi o Pelé antes do Pelé, Domingos da Guia terá sido o Pelé da defesa.

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No Rio, falei telefonicamente com o treinador Flávio Costa, que me confessou haver cogitado Heleno de Freitas para a Seleção de 1950. Naturalmente, sem saber que o grande craque já estava atingido pela perturbação mental que o matou alguns anos depois.

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No Hotel Plaza de Salvador, pouco depois do jogo Santos X Bahia, me sentei na mesa do Mauro, então treinador bicampeão mundial no Chile, e lhe perguntei por que Flávio Costa o havia desconvocado da Seleção de 50, preferindo os apenas razoáveis Juvenal e Nena. Disse simplesmente que não sabia.

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A camisa do escrete pesou, quando envergada por goleiros de grande estilo, tais Batatais, Barbosa e Castilho, que tremeram defendendo a Seleção. Já aqueles tecnicamente bem menos dotados seguraram firme, podendo ser citados, talvez em primeiro lugar, o Taffarel, Leão também, porém Leão não sabia sair do gol.

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A melhor linha média do futebol brasileiro em todos os tempos era formada por Bauer, Rui e Noronha, no São Paulo, na segunda metade dos anos 40. Tinha também a do Vasco, quase à mesma época, Eli, Danilo e Jorge, só que o lateral-esquerdo, um bom jogador, porém não era craque.

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Ademir foi o artilheiro do Mundial de 1950. Marcou oito ou nove gols, porém a eficiência desse feito é discutível, porque na hora que a Seleção precisou, nada fez, no empate com a Suíça, no Pacaembu, e na derrota final para o Uruguai, no Maracanã. Se não tivesse marcado nenhum, Brasil terminaria na mesma posição, vice-campeão. Já o ponteiro uruguaio Ghigia meteu apenas cinco, dos quais três decisivos para seu país, o do empate com a Espanha, o da vitória sobre a Suécia e o do título, com o Brasil.

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No Sul-Americano de 1959, realizado em Buenos Aires, Argentina jogava pelo empate, e Garrincha fez o gol que seria o da vitória, no minuto final. Acontece que, depois de driblar o goleiro, quis entrar com bola e tudo, e, no meio da caminhada, o juiz apitou o final da partida, pois o tempo acabara. Os jogadores, a torcida e a imprensa brasileira chiaram à vontade, porém de nada adiantou, e os platinos foram proclamados campeões.

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Qual dos dois foi o melhor, Pelé ou Maradona? Aí, vou meter minha colher, Diego deu mais à Seleção Argentina em Copa do Mundo do que Edson deu ao Brasil.

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Tem jogadores absolutamente craques em seu time e que nunca emplacam completamente na Seleção. Entre tantos exemplos, cito Danilo, que brilhava intensamente no Vasco e nunca repetiu suas atuações no escrete, inclusive no Mundial de 50, onde na final esteve muito mal, sendo completamente envolvido pelo meia uruguaio Julio Perez.

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O Ferroviário começou mal das pernas o campeonato de 1952. Perdeu pro Ceará, Fortaleza e até Gentilândia, só ganhando do lanterna, América. Mais tarde, recuperou-se e acabou ganhando do Vovô na melhor de três.

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Após a derrocada do Mundial, Flávio Costa obteve dois títulos de campeão carioca. Naquele mesmo ano de 50, pelo Vasco, e em 1963, pelo Flamengo, justo os dois times de seu coração, tendo, inclusive, atuado pelo rubro-negro nos anos 20.

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Para os colecionadores de curiosidades futebolísticas, primeiro jogo de Jairzinho pela Seleção, na porta direita, foi último de Zagallo na extrema esquerda, Brasil 4 x 1 Portugal, Maracanã, 1694.

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O meio-campo Clodoaldo, que integrava o ainda grande Santos Futebol Clube, foi um dos acertos escalativos do treinador Zagallo no último Mundial que Brasil ganhou jogando bem, o do México, na parada mais difícil daquela competição, frente Inglaterra, Clodoaldo teve de suprir a ausência de Gerson, e, no segundo tempo, as condições de Rivelino, que se contundiu durante o jogo.

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Meu primeiro time no Ceará foi o América, então presidido pelo advogado Aristóteles Canamary. Foi campeão do Torneio Aberto, numa melhor de três com o Ceará, em 1950. Alguns de seus principais jogadores pertenciam à Base Aérea, e quando transferidos, os rubros deram vexame a tal ponto que não foram nem classificados para disputar o campeonato no ano seguinte.

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Pipiu foi uma das maiores estrelas que se apresentaram no Presidente Vargas. Quando parou, tentou entrar no estádio, meio letreco, para assistir a uma partida, e não o deixaram. Não por estar "tocado", mas porque não tinha dinheiro para pagar o ingresso. Quem me contou foi o saudoso Armando Vasconcelos.

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Das quatro Copas de que participou, Pelé só tirou inteira a última, no México. Na primeira, da Suécia, viajou machucado, e só entrou no terceiro jogo, obrigando Feola a escalar o apenas regular Dida e, depois, o centroavante Vavá na meia esquerda. No Chile, quando Brasil saiu bicampeão, estreou contra o México, porém, no prélio seguinte, se quebrou ainda no primeiro tempo, entrando Amarildo em seu lugar, nos quatro jogos restantes. No terceiro Mundial, o mais importante de todos, o de Londres, Pelé participou da inicial, contra a Bulgária, quando se machucou, ficando de fora com a Hungria, e no último do Brasil, frente Portugal, nada produziu, pois entrou fora de condição.

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Só houve um jogo em Copa do Mundo que o grande Pelé marcou mais de dois gols, aconteceu na semifinal de 1958, na Suécia. Fez três no segundo tempo, só que seu marcador, o médio Jonquet, estava na enfermaria, e naquele tempo não havia substituição, jogador lesionado era como se tivesse sido expulso de campo.

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No seu jogo de estreia pela Seleção, Pelé amargou uma derrota, foi na Copa Roca de 1957, quando fez o gol brasileiro, no 1 x 2 contra a Argentina.

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Difícil estabelecer qual foi o maior craque dos dois, se Pelé ou Maradona. Agora, se fizermos a medição da participação dos dois nos mundiais, o Rei Diego rendeu mais pra Argentina do que o Rei Arantes pro Brasil.

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Aconteceu com Pelé fato muito raro, foi o jogador que atuou na Seleção primeiro que no campeonato estadual, tendo estreado no escrete quando ainda não havia participado de nenhum jogo pelo torneio paulista.