Girando dial

Minha estreia no rádio se deu no meio do ano de 1957, via Zé Pessoa, que me levou para a Uirapuru, sob o patrocínio de Tarcísio Magazine, loja recém-inaugurada na Pedro Pereira. Não tinha carteira assinada, condição só adquirida quando meu amigo José Macêdo assumiu por um curto tempo a emissora.

Momentos

A primeira grande ocorrência da minha vida, além do nascimento na Aurora, foi meu ingresso na Gazeta, pelas mãos de Luiz Campos, tendo a primeira coluna sido publicada num sábado, 14 de agosto de 1955, só que foi escrita na sexta, 13.

No palco

Um dos maiores sucessos artísticos de minha ainda curta carreira, de apenas 64 anos, foi haver trazido para o Centro de Convenções o Tamba Trio, e, ainda mais fantástico, Luizinho Eça, Bebeto e Hélcio Milito haviam terminado sua existência conjunta, de modo que o Tamba Trio reviveu por minha audácia, com a colaboração da Fernanda Quinderé, então mulher do pianista.

No alto da torre

No meu apê do Iracema Plaza, tive o grande prazer de receber Luiz Severiano Ribeiro Júnior, sucessor de seu fabuloso pai, recordista de casas exibidoras. Foi seu principal funcionário da empresa aqui, lendário Samuel Tabosa, que me ensejou, e ele, que não ia à casa de ninguém, nem de seus familiares cearenses, nem bebia, provou um casquinho de lagosta.

No alto da torre

Um dos almoços mais marcantes foi quando recebi o criador do primeiro cartão de crédito do Brasil, Horácio Klabin, que instituiu o Diners Club. Reuni luminares do empresariado e, como fazia muito calor, mandei espalhar pela placa barras de gelo, que o Edson Queiroz achou genial.

Moradias

A casa de José e Lurdes Moreira, Santos Dumont com Virgílio Távora, que hospedou Castello Branco, quando presidente vinha ao Ceará, e hoje se presta para outdoor, sempre foi a minha favorita. Aliás, ali aconteceu o coquetel de recepção aos visitantes que vieram para a primeira posse de Virgílio Távora, na véspera de o coronel assumir no Palácio da Luz.

Moradia

Quando comecei a escrever minha coluna, em agosto de 1955, a casa mais vistosa de Fortaleza era o palacete do coronel José Gentil, onde residiam, na ocasião, “seu” João e dona Sara, que logo se transferiram para o Rio. O prédio foi adquirido pela quantia de cinco mil contos pelo Governo Federal, atendendo solicitação do grande Antônio Martins Filho, para ali instalar a Reitoria da Universidade.

Momentos são

A maior ocorrência da minha vida, após, naturalmente, o nascimento foi quando o grande Luís Campos me entregou uma coluna na Gazeta de Notícias, derrubando a oposição do alto comando do jornal. Isso delineou minha própria existência, que deságua hoje em 64 anos de manifestação diária e vitoriosa.

No alto da torre

Com ajuda fundamental de meu amigo Arialdo Pinho, estabeleci a primeira cobertura do Ceará, no Iracema Plaza de Philomeno, onde morei por um quarto de século, recebendo, além dos luminares da sociedade, expoentes até mesmo nacionais, como o superpaisagista Burle Max.

Caros colegas

Zózimo Barroso do Amaral, que dos colunistas de dimensão nacional foi meu maior amigo, sempre que lhe passavam uma notícia que só ao protagonista interessava, respondia “vou pôr na sexta”. O informante ficava esperando, e necas, acontece que a cesta aí era com C, aquela indesejável de lixo.

Gloriosa efeméride

Hoje, 13 de agosto, completa seu primeiro aniversário esta 5ª Avenida, que tanto tem contado com seu prestígio e sua leitura. E também meus 64 anos de jornalismo, por obra e graça do meu pai Luís Campos.

Laboratório

Para Edilmo Cunha, uma das melhores pessoas jamais havidas, mereceu do repórter o aposto em questão, Obra-Prima do Criador. Até hoje, só me chegaram aplausos pela oportuna nomeação.

Laboratório

Para Margarida Borges, uma das amigas mais agradáveis que se possa ter, minha coluna criou esta alcunha, que considero das melhores: A Delegada Que Só Prende Por Amor.

Laboratório

Uma das melhores criações deste repórter foi radiofônica: Dias Branco, Sempre de Braços Abertos para Crescer, lema de meu Minuto diário, tirantes sábado e domingo, em O POVO-CBN.

Laboratório

Uma das bolações deste repórter foi alcunhar Luiz Gentil de Campeão do Xadrez da Vida. O empresário, pioneiro da pesca organizada da lagosta, soube enfrentar os ventos contrários, a partir da injeção ministrada no lugar errado, que provocou a raquitização de uma perna, na mais tenra idade, além, naturalmente, de ás do Esporte dos Reis, que foi.

Rio às minhas ordens

Meu primeiro anfitrião carioca foi José Maria Vidal. Estreei na Cidade Maravilhosa em 1957, mediante uma cortesia da Varig. Havia conhecido Zemaria aqui, através do Adrísio Câmara. Ele tinha se transferido pro Rio, quando sua mãe, dona Maria, perecera. Me hospedou por um mês, em seu apartamento da Zona Sul, me emprestou dinheiro e até roupa. Na época, ainda não aparentava sinal do mal que o pôs no hospital nos últimos 40 anos de vida.

Conversa vai

Um dos maiores papos de que participei nessa minha ainda curta vida, aconteceu em casa do dr. Haroldo e Heloysa Juaçaba, que residiam na Barão de Studart, bem próximo ao Country Club. A figura central foi dom Jerônimo de Sá Cavalcante, tomando parte também, na mesa armada no jardim, seu irmão Hermenegildo e os gêmeos Adauto e Humberto Bezerra, que na época ainda despontavam.

Diagnóstico

Cearense Antenor Barros Leal, que foi presidente da poderosa Associação Comercial do Rio de Janeiro, assinala que a Federação das Indústrias do Ceará é a única do país onde nenhum presidente virou pelego.

Altavoz

O saudoso Itamar Espíndola assim interviu, quando, numa roda do Clube do Advogado, alguém proclamou que o Lúcio Brasileiro era muito inteligente: Inteligentes somos nós, ele tem talento, ele cria.

Transa praiana

Na minha cabana cumbucana La Belle Aurore, recebi Glorinha Sued, a bela mineira, então ex-mulher do Ibrahim, que tinha vindo ao Ceará especial pra ver o Papa, e, em outra oportunidade, sua filha Isabel, trazida pelo Afonso Sancho Júnior.