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Em sua visita ao Ceará, logo após 64, o governador Carlos Lacerda começou por Juazeiro, onde foi recebido pelo coronel Humberto Bezerra, que havia sido escolhido Prefeito do Ano, na promoção dos Associados. Depois, veio para Fortaleza, onde foi homenageado com um almoço, no Náutico, e eu estava lá.

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Os desportistas devem ter esquecido, porém Expedito Machado, quando deputado estadual, foi escolhido presidente da Federação Cearense de Futebol e se destacou, inclusive, iluminando o Estádio Presidente Vargas. A crônica o apoiou, mas os que vieram depois não souberam reconhecer a sua atuação, sempre omitida nos meios de comunicação.

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Virgílio Távora, em 66, e Adauto Bezerra, 12 anos depois, quando deixaram os respectivos governos, obtiveram brilhantes votações, porém não padece dúvida de que a maior de todas foi a de Ciro Gomes, para o mesmo posto, deputado federal.

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Moysés Pimentel, exatamente o oposto do empresário selvagem, foi candidato a deputado federal, em 1962, e obteve sua cadeira por meio de uma belíssima votação, pois sufragado praticamente em todos os municípios, tendo como base Fortaleza, onde obteve mais de dez mil. Teve os seus direitos políticos suspensos na Revolução de 64, acusado de comunista, que absolutamente não era. Vencido o prazo, voltou, mas aí sem a velha fleugma. Foi um dos injustiçados.

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Além da surpresa de ter saído governador, Plácido Castelo logo teve outra, sua posse foi antecipada em cinco meses, assim, enquanto seus companheiros de outros estados só apearam o poder em janeiro, ele, em agosto do ano procedente. Dizem que foi uma manobra de Sarasate, junto presidente Castello, para impedir que Virgílio Távora fizesse o Governador-tampão.

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Gostaria de esclarecer mais uma vez que o Leonel Brizola não veio para a posse de Parsifal Barroso no Governo, o que seria sua primeira visita ao Ceará. Só para ilustrar, direi que nessa oportunidade fui apresentado a Jango, pelo deputado Carlos Jereissati, em casa de Bonaparte Maia, que era meu patrão em O Jornal.

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Armando Falcão teve quatro mandatos federais, 50, 54, 58, 62. Quando pleiteou o quinto, em 1966, ficou na terceira suplência e não mais disputou. O empresário José Macêdo, que fora reeleito deputado, se ofereceu para abrir para ele, tirando uma licença, porém Armando declinou, explicando que não poderia aceitar, se o eleitorado o havia rejeitado.

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Adahil Barreto foi quatro vezes deputado federal, 50, 54, 58, 62. Nessa última eleição, saiu também pra Governador, pelo PTB de Jereissati, só que, do outro lado, intitulado de União Pelo Ceará, estava, nada mais, nada menos, que Virgílio Távora. Adahil, homem honrado, foi cassado logo após a Revolução de 64, sem que o Brasil atinasse por quê. Talvez porque pertencia à ala mais à esquerda da Câmara Federal, sem jamais ter sido comunista. Vencido seu prazo de dez anos, pretendeu voltar, mas então morreu, e, segundo seus amigos, evitou o dissabor de uma derrota.

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Wilson Roriz, que representava o Cariri, era um parlamentar sério e trabalhador, envolveu-se na luta pela vinda de Paulo Afonso, talvez nascendo daí oposição crônica a Virgílio Távora. Só obteve um mandato de deputado federal, tendo ficado suplente na eleição seguinte, vítima que foi de sério acidente automobilístico, batendo com a cabeça.

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Lacerda discursava no Palácio Tiradentes, quando trêfega deputada Ivete Vargas cometeu a ousadia de apartear: “Vossa Excelência é um ladrão.” “Mas como ladrão, se sou conhecido nessa Casa por combater os ladrões.” “Vossa Excelência é um ladrão da honra alheia.” Carlos fulminou: “Então a senhora esteja tranquila, pois nada tem a temer de mim.”