Bola rolando

No primeiro Campeonato Paulista que Pelé disputou pelo Santos, o Rei não foi campeão; na estreia em Seleção Brasileira, o escroto perdeu. Na estreia em Copa do Mundo, não marcou gol; dos quatro Mundiais disputados, só no último jogou todas as partidas.

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Muito ligado a futebol, naquele tempo, este repórter detém um recorde, foi um dos 20 que compareceram ao Presidente Vargas para assistir a Gentilândia x Nacional, pelo Campeonato Cearense, numa tarde de sábado de 1950.

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Goleiros de classe indiscutível, tais Batatais, Barbosa e Castilho, não emplacaram na Seleção. Batatais fracassou no Mundial da França, Castilho tremeu enfrentando a Hungria na Suíça, e, quanto a Barbosa, o gol da vitória do Uruguai, no Maracanã, se não propriamente um frango, poderia, segundo quem viveu a jogada, ter sido evitado.

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Rodrigues foi um dos últimos pontas-esquerdas dito profissional, quer dizer, atacante. Campeão pelo Fluminense e pelo Palmeiras, não deu sorte, entretanto, na Seleção. Em 1950, tido como titular, não entrou em campo, pois começou o Mundial contundido, e, na Suíça, se lesionou no segundo jogo e não participou da Batalha de Berna, frente à Hungria. Diabético, morreu quase na miséria, após amputar as duas pernas.

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Craque de verdade não dá bom técnico, sendo vários os exemplos daqueles que não emplacaram, como Domingos, Leônidas, Ademir, Zizinho e Jair da Rosa Pinto. Treinador vitorioso não foi ás, jogador mediano, tais Flávio Costa, Zezé Moreira e, em tempos mais recentes, Zagallo.

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Domingos da Guia é indiscutível, na posição de zagueiro central dos bem mais de 100 anos do futebol brasileiro. Agora, na lateral direita, já que na esquerda Nilton Santos não se discute, não ponho Carlos Alberto, nem Djalma Santos, e muito menos Cafu, e sim, Leandro, que junto a Falcão foram os maiores destaques da última vez que a Seleção jogou futebol, 1982, em Barcelona, e eu estava lá.

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Heleno de Freitas, considerado o mais clássico dos centroavantes do futebol brasileiro, jogou uma vez, umazinha só, no final dos anos 40, aqui no Ceará. Aconteceu quando o Vasco da Gama goleou por 6 x 1 o Fortaleza, que abriu o placar com um gol de França. Porém, Heleno não foi bem, no Presidente Vargas, não marcou e foi substituído pelo novato Ipojucan.

Bola redonda

Nenhum cearense, até hoje, atuou pela Seleção Brasileira em Copa do Mundo. Quem mais se aproximou foi o Leonardo, que participou, em 94, nos Estados Unidos, jogando na lateral esquerda, e em 98, na França, de meia. Porém, Leonardo, filho de pais cearenses, das famílias Nascimento e Araújo, nasceu em Niterói.

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O pernambucano Ademir foi o artilheiro da Copa de 50, com nove, segundo os cronistas, ou oito gols, segundo a súmula do juiz, pois um dos seus dois contra a Espanha, foi atribuído ao zagueiro Parra.

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A crônica brasileira proclamou que o Brasil foi Campeão Moral da Copa de 78, na Argentina, por sinal, uma das duas que vi pessoalmente. Acontece que não se encontra na Fifa tal título, que me pareceu mais choro de mau perdedor, até mesmo porque foi uma das piores seleções, quando Zico, grande no Flamengo, estreou pifiosamente, só fazendo um gol, e ainda de pênalti. Espalharam que o Peru tinha facilitado para a Argentina chegar aos seis, só que não precisava, bastava quatro.

Bola redonda

Pernambucano Ademir Marques de Menezes, ídolo do Vasco por dez anos, marcou nove gols na Copa de 1950, porém nenhum deles valeu para o Brasil, pois não encontrou as redes adversárias quando dele a Seleção precisou, no empate de 2x2 com a Suíça, no Pacaembu, quando não meteu, e na derrota final, para o Uruguai, no Maracanã, onde foi completamente dominado pelo beque oriental Matias Gonzalez.

Bola rolando

Futebol também faz das suas, dificilmente um craque rende um grande treinador, Leônidas, Domingos da Guia, Zizinho, Jair da Rosa Pinto, por exemplo, não emplacaram. Técnico vencedor é quase sempre aquele que foi peba quando atleta, tipo Flávio Costa e Zezé Moreira. Talvez pela mesma razão que um bom pintor jamais dará pra crítico de arte.

Bola redonda

Heleno de Freitas jogou uma vez no Ceará, quando chegou ao Vasco e veio aqui enfrentar o Fortaleza, em 1949. O Tricolor abriu o placar, mas então o Vasco meteu seis, nenhum de Heleno, que acabou substituído. Muitos defenderam sua presença na Seleção de 50, porém Flávio Costa não lhe chamou. Tudo indicando que já estaria afetado pela esquizofrenia que o levou dez anos depois a um sanatório em Barbacena, Minas.

Bola rolando

Foi o Expedito Machado, então deputado estadual, quem salvou o futebol cearense de apagar. Falo literalmente, pois foi ele quem iluminou o Presidente Vargas. E conseguiu movimentar o campeonato, que andava muito por baixo. Pena que tenha desaparecido toda reportagem esportiva da época, tais Jaime Rodrigues, Ivan Lima, Paulo Santos, Palmeira Guimarães, mas vivo ainda está o Aécio de Borba, que poderá atestar.

Bola rolando

Seleção, das cinco copas amealhadas, temos de tirar a primeira, na Suécia, quando a França, o melhor time, jogou um tempo com dez, a do Chile, quando a Espanha foi garfada, tendo um gol legítimo anulado e um pênalti não marcado, e o circo armado pelo Havellange, nos Estados Unidos, quando a decisão foi por pênaltis, que não faz parte da nossa cultura futebolística.

Bola redonda

Meto minha mão, sem medo de queimar o cotovelo, nessa questão se o melhor foi Pelé ou Maradona. Aqui e agora, em meu blog internacional, estabelecerei de uma vez por todas que Maradona deu muito mais à Argentina, nas quatro Copas que disputou, que o Pelé ao Brasil, também em quatro Mundiais, pois só em um, o último, jogou inteiro.

Bola redonda

Apontar Domingos da Guia como maior zagueiro da primeira Copa da França, em 1938, é uma barbaridade, pois dizem que, jogando sempre com febre, o Pelé da Defesa não conseguiu jogar bem nenhuma partida, e ainda cometeu três pênaltis, um deles, fatal, contra a Itália.

Bola rolando

O Botafogo é tetracampeão carioca, 32, 33, 34, 35, porém o próprio clube não dá muita importância, porque pra valer só foi 32, ganhou os outros participando de uma liga que só tinha time pequeno.

Bola passada

Brasil ainda hoje chora perda da Copa de 50, que inaugurou o Maracanã. Acontece que, se o futebol fosse sempre justo, a Seleção nem teria ido para a final, pois precisava vencer a Iugoslávia, que tinha um time certinho e jogava pelo empate. Acontece que seu principal jogador, o armador Mitic, ao tentar entrar em campo, quebrou a cabeça no túnel do estádio, e a Iugoslávia solicitou adiamento da partida por 15 minutos, para que o time começasse completo. O capitão brasileiro, Augusto, concordou, porém condicionou a aprovação do treinador Flávio Costa, que negou. O resultado é que, quando Mitic começou a jogar, Brasil já havia metido um gol, mas os verdadeiros futebolistas sabem que a Seleção não ganharia esse jogo, se Iugoslávia tivesse jogado, desde o início, com seu onze completo.

Bola passada

Na Copa de 50, o melhor time era a Espanha. No jogo com o Brasil, todo mundo estranhou que os ibéricos pareciam estar dormindo em campo. Perderam de seis, e depois se soube a razão do “sucesso” dos brasileiros. O cozinheiro da concentração dera uma patriotada, pondo barbitúrico no almoço dos visitantes.