Apanhado político

Governador da Guanabara, o grande Carlos Lacerda vetou o plano de Roberto Marinho, que pretendia faturar construindo cemitério em parque da Zona Sul. Dono do maior jornal, Dr. Roberto não se conformou e rompeu com Lacerda, que depois explicou: Cansei de dizer a Roberto Marinho que não se pode especular com o bem público.

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Escolhido Governador pela Revolução, Plácido Castelo mandou o genro, Dário Macêdo, Chefe da Casa Civil, e o Dário me mandou, convidar o confreiro Juarez Timóteo, para ser seu porta-voz. Fui encontrá-lo de mangas arregaçadas, no meio da tarde, no Correio do Ceará, ainda na Senador Pompeu, e transmiti então o convite oficial. E a resposta do mais íntegro dos meus colegas foi: Vou fazer de conta que não ouvi essa proposta de você.

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Quando Jânio Quadros foi eleito presidente, com aquela fantástica maioria, seu vice, o mineiro Milton Campos, perdeu por apenas 200 mil votos. Se houvesse ganhado, com Milton na garupa, Jânio não teria renunciado, pois só o fez por não crer que o Exército entregasse o poder ao Jango. E o Brasil, então, teria se livrado de um de seus presidentes mais vacilantes e incapazes. E Jânio, que fazia uma administração de alta moralidade, teria sido sucedido pelo Carlos Lacerda, e nem precisava a Revolução de 64.

Apanhado político

Parece ser verdadeira a história que se espalhou pelo País que, quando foi cassado pela Revolução de 1964, o governador Ademar de Barros pretendeu reunir todo o secretariado, para uma histórica foto de despedida. Acontece que, a essa altura dos acontecimentos, alguns auxiliares sumiram. Ademar imediatamente autorizou seus policiais a caçarem os fujões por toda a cidade, para que o flagrante saísse completo.

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Roberto Silveira foi um dos políticos mais promissores deste país, nos anos 50. Daria até um ótimo presidente se, naturalmente, o dono de seu partido, João Goulart, quisesse. Morreu em acidente aéreo, e seu lugar de governador do Estado do Rio foi ocupado pelo irmão, Badger, que logo ingressou na subversão e foi dos primeiros cassados pela Revolução de 64.

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O Brasil podia ter se livrado do Juscelino e de sua apressada Brasília. Bastava que o integralista Plínio Salgado houvesse desistido. Ele recebeu 600 mil votos, enquanto a maioria de Juscelino foi de apenas 400. Quase totalidade dos seus votos iriam para Juarez Távora, que teria feito um governo da maior seriedade, inclusive não programando construir Brasília, capital mais corrupta deste planeta.

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Quase todos aqueles que reportam a posse do professor Parsifal Barroso no Governo do Estado mencionam a presença do governador gaúcho Leonel de Moura Brizola. Acontece que Brizola foi único governador do PTB, então partido de Parsifal, que não veio.

Flagrante delito

Havia um deputado pelo Estado do Rio, capital Niterói, que, antes de eleito, só havia ocupado um cargo de destaque, a Presidência da Caixa Econômica, suscitando, então, pesadas suspeitas sobre a legitimidade da fortuna amealhada. Logo após 64, convidou aquele que assumiu a chefia da Revolução vitoriosa, Costa e Silva, para um jantar. Champagne francesa, caviar do Irão, louça da Companhia das Índias e serviço Vermeil, que é o mais caro do mundo, pois talheres de prata banhada a ouro. Terminada a refeição, o general despediu-se e, chegando em casa, ligou para o chefe do Grupo de Cassações, determinando: Põe fulano na lista, pois esse eu vi que é ladrão.

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Já eleito por antecipação governador do Estado, em 1962, na União pelo Ceará, Virgílio Távora emprestou seu coordenador, Aécio de Borba, ao coronel Murillo Borges, candidato a prefeito. E com seu espírito de organização, Aécio foi peça fundamental na eleição de Murillo, candidato pesado, que acabou se elegendo e foi um dos nossos melhores prefeitos.

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O senador Olavo Oliveira chegou a ser tido como cobra da política cearense, a partir de sua eleição para o Senado, em 1946. Entretanto, quando tentou a reeleição, em 54, pôs em dúvida aquela consideração. Pôs o filho Raimundo Ivan como vice-governador. Ambos perderam. Fez nova tentativa em 58, pondo o Raimundo Ivan como suplente, quer dizer, não somava. E foi então derrotado por Menezes Pimentel.

Quem se feriu

O diabo é quem duvida, porém facada no Bolsonaro foi uma facada no intestino do Brasil.

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Castello Branco, e só ele conseguiria, promoveu eleições um ano após a Revolução de 64, ensejando eleição de juscelinistas no Rio e em Minas Gerais. A linha dura militar não queria e emparedou nesse sentido. O ministro da Justiça, Milton Campos, ao sair de uma reunião com o Presidente, foi abordado pelos jornalistas: Como é, os eleitos tomam ou não tomam posse? Homem sábio, dr. Milton respondeu: Acabam tomando. Tomaram.

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Foi Parsifal Barroso quem vendeu a ala sul do Palácio da Luz. O motivo alegado foi fazer caixa para ajudar a pôr o funcionalismo em dia, que ele não queria deixar o Governo atrasado. Muito justo, acontece que, com esse ato, querido Parsifal fez a cidade perder um jardim em sua zona central.

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Virgílio Távora ficou grato a seu vice-governador, Figueiredo Correia, que não aceitou maquinações de guarnição militar, ou melhor, de alguns de seus integrantes, que queriam VT fora, alegando sua amizade com o presidente deposto João Goulart. E a maneira que encontrou de dizer obrigado foi nomear seu irmão Jáder para uma das secretarias mais importantes, Educação.

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Se não me falha, até 1954, votava-se até para suplente de senador. Considero absurdo a gente não votar para vice-presidente, para vice-governador e para vice-prefeito. O que deveria ser abolido era o voto obrigatório, que enseja a eleição de quem põe mais dinheiro na urna, comprando o ignorante.

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Ernesto Sabóia foi deputado apenas uma legislatura, tendo como base a Princesa do Norte. Vinha tendo bom desempenho, até se meter na sombria história da Lei do Cadillac, pela qual o parlamentar teria direito a importar o elegante carro em questão sem pagar as taxas. O eleitorado não gostou, e ele não conseguiu a reeleição.

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Na eleição de 1986, que pôs Tasso contra Adauto, os dois candidatos a vice estavam em grande dificuldade para manter sua cadeira na Assembleia reconduzida, Achiles Peres Mota e Castelo de Castro. Achiles trabalhou para ser o companheiro de Adauto porque julgava essa candidatura imbatível. Só que Jereissati provocou uma grande reviravolta e botou 600 mil na frente.

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A UDN do Ceará tinha três líderes incontestes: Paulo Sarasate, eleito governador em 54, Virgílio Távora, que perdeu pra Parsifal, em 58, e Adahil Barreto, que surgia como opção para 62. Acontece que alguns colegas de partido o acusavam de esquerdista, desse fato resultou a União pelo Ceará, que deu Virgílio e seu Governo Redentor. Adahil se candidatou pelo PTB de Jereissati, porém sem nenhuma chance, tendo sido eleito deputado federal (naquele tempo podia), onde se encontrava, quando a Revolução de 64, injustamente, diga-se, o ceifou.

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Nas últimas décadas da vida brasileira, único período em que a população pôde respirar foi no Regime Militar, incluindo, naturalmente, os primorosos governos de Médici e Castello Branco. Exatamente quando foi dispensada a colaboração dos políticos.

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Genro de Parsifal Barroso, cearense Francisco Studart foi duas vezes eleito deputado pela Guanabara. No pleito de 1974, ele foi último lugar no Rio, e o ex-sogro, último lugar no Ceará. Divisando o ex-genro nos corredores da Câmara em Brasília, Dr. Parsifal clamou: Lanterninhas!